O Menino, as Cores e o Mundo

 

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Imagem retirada do site: mensagens e reflexões

Aqui estava eu em mais uma das inúmeras madrugadas cariocas pensando em amigos meus, um em especial, quando vi, já tinha escrito o texto…

Existia no mundo um menino que enxergava tudo em preto e branco, isso não o tornava triste, não, as cores para ele eram sentimentos, então seu mundo era colorido com as cores mais intensas possíveis.

O Azul sempre o remeteu a serenidade que ele tinha nos dias chuvosos, ele amava esses dias, ele corria para o lado de fora, entre a tempestade e todos os trovões, e ia observar a alegria das flores ao receber as gotas de chuva e a espontaneidade das crianças em pular as poças d’água, era como se isso causasse leves cosquinhas nele, ele sorria enquanto imaginava que aquelas cenas sem dúvida seriam embaladas pela cor azul…

Sorrisos azuis…, era assim que ele pintava seu mundo, com grandes e inesquecíveis sorrisos azuis, sorrisos repletos de prazeres simples e imateriais.

Os dias quentes o remetia sempre ao amarelo, ele gostava de sorrir enquanto se sentava e apreciava os primeiros raios de sol encontrando sua pele, era quente, diferente, era como o beijo dos apaixonados casais, era como os seus beijos, os beijos que ganhava ao pé do ouvido nas madrugadas insanas, o amarelo era tão voraz quanto qualquer toque, era suave, intimo, era um movimento bilateral. O amarelo no fundo era o encontro de corações, um grande abraço invisível que acontecia.

Ele vivia desses abraços intermináveis que pintavam seu mundo de amarelo.

O vermelho o remetia a doces, ele via o vermelho e sentia vontade de o devorar como se ele fosse feito de uma droga viciante, ele amava aquele doce, ele simplesmente mergulhava naquela sensação que o dava coragem de enfrentar qualquer coisa sem desistir. Ele corria, corria e corria com aqueles olhos tímidos, com aquele sorriso solto e devorava qualquer coisa que via na sua frente e o fizesse se sentir bem.

Ele amava aquela sensação de prazer, era como respirar, essencial para sua vida. O vermelho era seu prazer, e seu prazer era gritar para o Mundo que ele queria o descobrir, que ele queria o devorar…

Quando fechava os olhos e se perdia na imensidão que era seus sonhos, ele Imaginava o verde, e era como se perder no Mundo, era divertido imaginar que entre tantas cores a que se fazia mais presente era o verde, era como pular de um avião sem paraquedas, uma queda livre. O verde era aventura, uma aventura que invadia todos os órgãos do seu corpo, ele amava se sentir verde, se sentir parte de algo e lutar por esse algo tão livremente quanto qualquer pássaro na floresta, ele era verde por inteiro.

Ele era livre, e talvez por isso tantas vezes ele achou que não cabia no mundo… Talvez por isso ele tenha inventado tantas vezes seu próprio Mundo e o pintado de cores tão peculiares que nenhum outro alguém poderia as identificar…

Sabe quando você se sente o inventor do Mundo? Então quando o menino se sentia dessa forma ele se sentia abóbora. Se sentir abóbora era se sentir quente e doce, o menino sempre se sentia assim, quando inventava que era o rei do mundo. Ele corria por aí inventando de consertar corações quebrados, seus passos ágeis formavam quase uma orquestra, ele raramente se preparava para os tombos, mas… ele não se importava em cair, se isso fizesse os outros voltarem a sorrir.

Abobora não era uma cor tão legal assim, eram intermináveis os dias em que ele se sentia abobora e voltava para casa com o joelho ralado e o sorriso travesso no rosto, nesses dias tudo que ele precisava era a certeza de que suas ações tinham valido a pena, afinal quem liga para um joelho ralado no fim das contas?

Se sentir abobora sem dúvida era melhor do que se sentir violeta, entre todas as cores a que mais o remetia ao “preto e branco” era o violeta, ele gostava da cor apesar dela ser tão fria, tão fria quanto os dias tristes, ele sempre precisava de abraços nesses dias, ele gostava de se sentir quente e não frio… Sabe os dias violetas, eram os dias em que ele mais se sentia criança, hora estava agitado procurando por uma resposta impossível, hora estava procurando se sentir acolhido…

Os dias violetas eram dias chatos demais, cheiravam a saudade, a angustia e a medo, ele não gostava de sentir medo, mas era difícil compreender o menino, mesmo gostando tão pouco de Violeta ele ainda gostava dessa cor, ele se sentia inspirado a ter coragem e a tingir esses dias com várias cores, as misturando formando as cores mais improveis possíveis.

É ele realmente amava viver em um Mundo “preto e branco”, sua maneira de enxergar o mundo era algo único e talvez por isso ele enxergasse melhor do que qualquer outra pessoa que visse todas as cores…

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7 comentários Adicione o seu

  1. Amei a forma como explorou as cores em forma de sentimentos. Me indentifiquei com o garoto em partes. Me sinto violeta às vezes. Procuro abraços e a companhia de quem gosto para eur me façam sentir abóbora novamente rs
    Adorei seu texto.
    Amigos são sempre belas inspirações!
    Beijos, beijos
    http://www.livroseafetos.blogspot.com

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    1. Juju Marques disse:

      Gratidãooooooo pelo comentário. Nossa você acabou de me fazer uma pessoa muito feliz! Grata por expressar seus sentimentos!!!! Muito Sol!!!! Muito Amor, Muita Luz!

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  2. Kelly disse:

    Gracinha você, Ju! Muito obrigada pelo carinho e pelo visita em meu blog! ❤
    Ansiosa por mais textos seus aqui!
    Beijos beijos 😘 http://www.livroseafetos.blogspot.com

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  3. Saudades de quando eu era criança e tudo tinha um significado. Viver tinha significados que grudavam como chiclete em minha mente. Fui privado de muitos significados, mas os que eu pude agarrar em fazem feliz até hoje. Ficar parado vendo uma arvore balançar com o vento, ouvir musica de raiz e relaxar, olhar pela janela do trem e ver aquele céu carmesim e me encantar.

    Mas fico triste por esses significados sumirem com o tempo… justamente na epoca que era para eu ter agarrado esse “super poder” eu vivi o famoso momento dificil de todas as vidas, adolescencia rebelde.

    Fiquei em duvida se esse seu amigo realmente tem esse talento de enxergar dessa forma, ou se é uma interpretação sua.

    Não sei se interpretei exatamente o que voce queria dizer, só comentei a lembrança que despertou em mim. Obrigado pelo otimo texto.

    Até novos ventos o/

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    1. Juju Marques disse:

      No outro comentário vc falou q algumas vezes escreve para amigos. Acho q somos muito parecidos, apesar de eu ter mostrado ao meu amigo esse texto.

      Acho q com toda certeza meus amigos tem mais efeito em mim do que qualquer relacionamento amoroso rsrs.

      Acabo descrevendo mais meus amigos como eu os vejo do que como eles se vêm e gostariam de ser vistos. Nesse caso tenho certeza q a concepção de *como eles são* se torna algo muito ambíguo e completamente improvável de se haver precisão.

      Para mim ele é assim, dessa forma e até um pouco mais.

      Você se lembra de muitas coisas, então elas ainda tem significado para você, não é só pq vc se tornou adulto e tem um trabalho q vc deve esquecer o significado das emoções (a respeito de algo) se os significados deixaram de fazer sentido, tente reinventar eles.

      Viver é uma arte, devemos recriar cada momento q nos faz feliz. Não se arrependa do q fez no passado, se arrependa do q pretende não fazer no futuro.

      Bjaoooooo volte sempre. Adoro esse contato cósmico

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  4. giz de sonhos disse:

    Juju, ju ju você escreve muito bem.
    Adorei!

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    1. Juju Marques disse:

      Gratidãoooooooooo!!!!!! Grata por comentar e tbm pela visita!!!

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