The End…

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Recentemente me vi no meio de turbilhões de emoções que não eram minhas, eu não lido muito bem com perdas, ironicamente, eu nunca tive um grande termino, os que eu tive eu soube superar teoricamente bem, mas resolvi buscar nos anexos dos meus sórdidos pensamentos algo para escrever sobre esse momento tão profanamente inevitável:

O mundo vai continuar a ser o mundo, mesmo se amanhã eu não estiver ao seu lado, a inexplicável rotação da Terra continuará a acontecer, o Sol ainda estará iluminando nossas manhãs, e o frio da noite ainda nos fará desejar alguém ao nosso lado, não por amor, mas por egoísmo, vamos querer o corpo alheio para aquecer o nosso, e nos envolver em uma camada de braços e abraços, sussurrando palavras indecifráveis em meio ao sono, enquanto ouvimos o batucar do coração alheio, que não nos pertence…

O vazio na cama se torna maior, o espaço antes tão pequeno se tornou uma cratera, não existe bagunça, não existe risos, não existe… Mas o correto seria que isso tudo continuasse a existir, afinal, continuamos a viver e somos a parte inteira de tudo que restou, a matéria orgânica, presente nesse corpo, ainda é a mesma de antes de tudo acontecer, o que prova que ainda é possível respirar, suspirar, andar, viver…

Encarar a vida pode ter se tornado um pouco mais difícil, afinal quando se termina com algo de forma tão abrupta e inesperada você fica sem reação, não sabe que rumo tomar, que caminho seguir, e um medo transborda nos seus olhos, sim nos seus olhos, afinal todas as possibilidades que esbarram com você naquele primeiro momento não fazem sentido algum, você ainda continua se sentindo incompleto, mesmo com todos os seus pedaços no lugar, você adquire um medo absurdo de que tudo sempre seja assim, sempre…, sempre.

A solidão parece ser um eco no meio do seu peito. As letras de música parecem ecoar na sua mente “é impossível ser feliz sozinho”, quem disse isso? Quem nos ensinou a pensar assim? Infelizmente quando se está com todos esses sentimentos “a flor da pele e qualquer beijo de novela nos faz chorar”, não conseguimos enxergar um erro mortal nessa frase, só é possível ser feliz sozinho, quando dependemos de outros para fazer/trazer nossa felicidade transformamos isso em dependência. Amar não é criar dependência, amar é ser livre é viver independente do outro, partilhando o “nós”, junto com todos os sorrisos e lágrimas, mas sem esquecer do “eu”.

E nesse desespero em que me vejo

Já cheguei a tal ponto

De me trocar diversas vezes por você

Só pra ver se te encontro

_Caetano Veloso – Você não me ensinou a te esquecer.

Dizem que os seres humanos se distinguem dos demais animais por sua racionalidade, mentira, não somos racionais principalmente quando isso envolve sexo e amor. A grande verdade é que a maioria de nós busca no outro aquilo que deveríamos encontrar em nós, sabem aquela velha frase de contos de fadas: e se tornaram um só”? Essa frase deveria ser banida de qualquer história para ninar crianças, não deveríamos as ensinar que o amor é egoísmo, deveríamos ensinar que o amor é compartilhado.

Amar é a conjugação do verbo no plural, “amamos”. Mas e quando um dos dois não ama mais, ou esse amor não é suficiente? A hora em que o fim chega, é sempre a pior hora…

É meus caros, o fim é algo tão intenso que raramente acontece por decisão inteira, não há conversas, abraços ou beijos, tudo que resta é uma série de soluços e questionamentos sobre os motivos que levaram a àquele ponto final. É claro que tiveram motivos, mas quando é você que ouve o último adeus, é você que se acha culpado, é você que se esconde, é você que não sabe responder àquela fática pergunta: “por que terminaram? ” Meia hora após essa pergunta, um filme roda na sua mente, seus olhos transbordam e seu mundo desaba, a pergunta que deveria ter sido feita é “você está bem? ’’

Afinal ainda ontem seus corpos estavam juntos, em meio ao suor, os beijos, os afagos e os sussurros de prazer ao pé do ouvido. “Você tem certeza que está bem?” Não, não está, eu sei que não, isso tudo foi ainda ontem…

Essa sem dúvida é a pergunta mais correta, não existem motivos plausíveis o suficiente para um termino, não para quem recebe o ponto final, tudo que essa pessoa precisa nesse momento é compreender que ela não foi culpada, que o mundo vai continuar girando e que ela vai ter um abraço silencioso para aquele momento, que aquele só foi “um momento” e que vão existir inúmeros outros momentos. Afinal não importa os motivos, todos eles não vão fazer sentido algum para os corpos aquém de toda aquela história.

Não importa se foram, dias, meses ou anos, não importa e nem nunca vai importar, no momento em que o ponto final é colocado no meio de uma frase, ele corta todas as possibilidades de se saber o final da história, ele causa angústia por tudo que poderia acontecer e nunca aconteceu, ele causa medo, desespero, tristeza, ele transforma em lágrimas todas as boas lembranças e palavras.

O irônico disso tudo é que esse ponto final só se transforma em vírgula quando os dois lados dessa frase se permitem conversar, não existe relação de um só, a vida não é um monólogo, é um incansável diálogo onde criamos inúmeras conversas ao pé das amendoeiras imaginárias.

“Não vou me sujar fumando apenas um cigarro

Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom

Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval

E isso explica por que o sexo é assunto popular.”

_ Zé Ramalho, Chão de Giz

No fim tudo que resta é uma dor inconstante no meio do seu peito e por mais que se diga, “eu entendo”, tudo vai parecer não ter sentido nos próximos minutos. Sabiam que somos bem mais egoístas no “fim” do que no início? Sim, somos egoístas, aliás no “fim” ambas as partes são egoístas, ambas querem continuar e terminar aquela história por motivos individuais e que nem sempre condizem com a realidade.

No fim, o poeta realmente estava certo.

“Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.”

_Vinicius de Moraes – soneto de Fidelidade

 Era frio,

Era noite,

Era o fim,

Estávamos felizes, sentados, conversando ao pé da amendoeira, os carros passavam, as crianças corriam pelo parque, e você estava ali, me olhando, como quem olha pela última vez alguém.

O beijo de despedida aconteceu,

O último selar de lábios,

O último toque.

Eu não estava morrendo e nem você indo para outro planeta, era um adeus tão vulnerável em termos explicativos, que cheguei a me perguntar se ele realmente chegou a existir.

Toquei meus lábios,

Ouvi meu coração bater,

Respirei freneticamente,

Minha garganta secou,

Você não estava ali…

No fim tudo ficou a como sempre esteve,

Você não existia antes e nem vai existir depois…

Demorou um certo tempo para eu perceber que tudo continuava em ordem a minha volta, não me acalmei e nem quis me acalmar, busquei na ânsia de um desejo voraz outros braços para te encontrar, mas inevitavelmente me vi perdida.

Parei,

Respirei,

Percebi, não era você que eu buscava, nunca foi, sorri enquanto observava as folhas da amendoeira se espalharem por aquele parque…

Me encontrei.

*Escrito em homenagem aos meus amigos…

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10 comentários Adicione o seu

  1. EMILY disse:

    “algo tão intenso que raramente acontece por decisão inteira, não há conversas, abraços ou beijos, tudo que resta é uma série de soluços e questionamentos sobre os motivos que levaram a àquele ponto final.”…. MEU DEUS JÚ!!!! Sinceramente você me fez chorar com esse texto, chorar literalmente, faz pouco que meu namoro acabou, ele acabou, sem ao menos um adeus, tudo estava ótimo aquele dia até uma meia noite. Somos tontos de pensar que a nossa vida depende daquela pessoa, quando ela depende apenas de nós… Mas também não podmos ser hipócritas, ninguém é feliz sozinhos, precisamos ter alguem que nos erga quando cairmos, alguem que esteja do seu lado por mais confuso que você seja. É puro egoísmo abandonar o outro sem mais nem menos… Maravilhoso post jú!

    Curtido por 2 pessoas

  2. Juju Marques disse:

    A intenção não era essa moça, de verdade.

    Seu namorado entrou na minha lista negra rsrs.
    Gente eu fico horrorizada como as pessoas terminam uma relação dessa forma, parece que isso se torna cada vez mais frequente. Acho que quanto mais no mundo da Cibercultura nos encontramos, mais esquecemos o significado das relações humanas, do cuidado com o outro, o amor se torna cada vez mais volátil, como se pudesse ser substituído e fosse descartável.

    Verdade ninguém é feliz sozinho, mas quando escrevi essa frase me referi ao fato, de que, uma pessoa não precisa buscar nos braços de outros seu afeto, ela pode escolher não ter uma relação, necessariamente as coisas não precisam acontecer tão rápido, elas podem ser devagar, cada qual no seu canto e no seu tempo. Mas a de convir que existe na racionalidade social que nos ensina que temos que ser dependentes de outros e que vamos morrer se não tivermos esse alguém nos nossos braços.

    Eu sou uma pessoa que ama, ama intensamente cada pessoa que passa na minha vida, mas como eu disse eu nunca tive um grande término, daqueles inevitáveis, mas eu resolvi me arriscar no texto por conta das relações acabadas dos meus amigos, eu fiquei meio que refletindo perdida nos meus próprios botões, como as pessoas fazem isso?

    Bjãooooo,
    Gratidãooo

    Curtido por 1 pessoa

  3. A felicidade se encontra dentro de nós, ❤
    Gostei do blog! Da uma olhadinha no nosso
    https://paranoiadeumaruivaemeia.wordpress.com/
    Espero que goste, beijinhos ❤

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    1. Juju Marques disse:

      Gratidãoooo, vou visitar!!!!

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  4. blogdaunique disse:

    Gostei do texto! Passei pelo mesmo em março/16. Terminamos do nada, sem ao menos nos despedir, ele me abandonou. Em junho ele começou a me procurar com uma frequência maior. Ele é o amor da minha vida. No início desse mês nós voltamos. Se você sente algo por esse ex não responda nenhuma mensagem… pq te garanto, ele vai te procurar.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Juju Marques disse:

      Pior que é verdade, quanto mais parecermos indiferentes, parecermos que somos superiores, mais eles nos procuram… rsrs
      Gratidão pelo comentário,
      Muito Amor pra vcs!

      Curtido por 1 pessoa

  5. Ola moça bonita, olhe eu aqui novamente para deslumbrar suas confusões e incertezas transcritas em uma tela bem branquinha.

    Normalmente quando lemos algo realmente interessante, apenas nos silenciamos e deixamos absorver todo aquele sabor de aprendizado ou de semelhança.

    Percebo em você a dualidade obvia e o combate diário de emoção e razão. O que não deixa de te garantir a famosa humanidade, claro, mas é tão evidente…

    Agora me responda: O que você perdeu com esse termino?

    (e ja deve ter respondido no texto, mas eu senti outras coisas)

    Mas antes de me responder, dê um tapa no orgulho e qualquer outro sentimento que te impeça de sentir coisas boas. Não, não to falando daquele que é apenas uma mentira para você não desabar em lagrimas. Falo da verdade.

    Recentemente tive um termino também. E eu que achava que era para sempre..
    Ok, era um amor e uma paixão impossivel. Eu cai lá de cima.

    Quando o balão estoura e voce não tem onde se agarrar, voce faz de tudo para não cair de boca no chão. Inventa histora, fica com raiva, depois volta e pensa melhor, e fica nessa até uma hora se espatifar no chão duro. Ai você lembra que era bom ter preparado ao menos um travesseiro.

    Mas eu tive a sorte de viver tudo isso com uma pessoa incrível e aprendi coisas incríveis. O que você aprendeu? Aprendeu a cair ao menos?

    Espero que fique bem, senhorita.

    Tudo é um aprendizado sem fim, tudo é etapa, tudo é só um sonho lucido de expectativas e conversa fiada.

    Até novos ventos o/

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  6. Juju Marques disse:

    Transcritas em uma tela branquinha, benefícios dos editores de textos… A tela branca sem nenhuma linha, sem início, meio e fim, sempre me faz pensar.

    Eu sou dual, completamente bipolar quando o assunto se torna as relações humanas, sou emocional demais quando a história é com outros e racional demais quando a história é comigo. Isso me causa muitos problemas. E não é por falta de AMAR, eu amo muito, vivo conjugando esse verbo por aí, mas a questão é que quando se trata de MIM e meus relacionamentos (amorosos), eu posso estar morrendo por dentro que eu vou tentar agir da forma mais racional possível. Eu sempre tento me lembrar que se terminou não era para continuar, é algo quase impossível, por tudo que eu já falei no texto, e isso chega ao ponto de ser cruel, afinal eu sei que o mundo vai continuar girando, que eu sou a mesma, que os dias vão ser iguais, mas eu ainda sinto fata, sinto falta dos gestos, do perfume, dos abraços e das palavras…, mas se não era para ser….

    Essa dualidade me mata porque eu compreendo que eu tenho que ficar bem, eu fico bem, eu entendo que a culpa não foi de um ou de outro, e que não dava pra continuar, mas mesmo assim, quando a música toca eu ainda penso nos momentos felizes.

    Por esse fato eu não disse que não desabava em lágrimas, mas sim que precisávamos entender o momento que a culpa, a culpa não foi sua (da pessoa que recebeu o comunicado), que aquele momento foi uma comunhão de fatos, o mundo não acabou, apesar da sua compreensível dor e que as pessoas ao seu redor deveriam compreender isso, afinal o término, a despedida é algo que já aconteceu na vida de muitas pessoas. E não importa o quão racional sejamos, as lembranças e as emoções decorrentes dela são fatores biológicos gerados pelo nosso querido cérebro, então a não ser que a pessoa em questão seja um maravilhoso androide, ele vai sentir, ele vai lembrar e ele vai imaginar o que poderia ter sido e não foi.

    Eu falei que minha dualidade me colocava em grandes encrencas.

    Pessoas maravilhosas, eu me dou bem com as pessoas que passam pela minha vida, inevitavelmente se estávamos juntos era porque nos gostávamos, a não ser se a pessoa foi duas caras, mas aí é outro caso.

    O que ficou, o que deveria ficar sempre são os risos de alegria, as boas lembranças, não tive grandes términos, como já tive, o que significa que não ocorreram gritos, choro, pedidos de “vamos tentar continuar”, não houveram, o que não significa que o travesseiro não foi o fiel escudeiro de ambas as partes. Eu já disse prefiro o término à continuar juntos sem ser inteiramente felizes, é triste, mas é a realidade não se ama sozinho, não se vive uma relação sem ser com no mínimo duas pessoas, não dá pra criar um monólogo.

    Eu definitivamente prefiro que em meio as fotos, as lembranças, as lágrimas eu preserve a felicidade conjunta construída ao longo da história. E é por isso que a única coisa que fica são as lembranças, o resto, o real, a pessoa vai embora, junto com os toques, a quentura dos lábios, o cheiro do perfume e a voz. Tudo que se pode tocar, incluindo o corpo em si, vai embora, terminar um relacionamento é quase uma despedida carnal.

    Não sei se você percebeu, mas eu sou muito emocional apesar da racionalidade, é meio óbvio que ninguém aprende a cair menos, ou a não cair. O que eu aprendi e aprendo a cada relacionamento é que não importa o tempo que você compartilha com uma pessoa, essa pessoa vai ter um significado na sua vida, vai agregar lembranças e assim como ela vai ter a responsabilidade de te fazer feliz, você também tem a responsabilidade de fazer a ela feliz, é algo complicado porque ninguém é feliz o tempo todo, somos diferentes, e cometemos muitos erros que devem ser assumidos e não jogados para cima de outrem.

    Talvez eu tenha aprendido a me amar, para amar o outro, ser um pouco menos egoísta, a compreender o outro que já estivera na mesma situação que eu.

    Estou muitíssimo grata pelos seus comentários,
    volte sempre!!!
    Até novos ventos!!!
    Gratidãooooooo

    FELICIDADES E MUITO AMOR!!!!!!!

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    1. Ola moça o/

      Perdoe a minha falta de compreensão com seu texto. As vezes a gente ta perdido demais em nosso mundinho e com os olhos bem tapados. As vezes a gente só quer saber da gente e esquece de obsevar o outro de uma forma mais sensivel.

      Mas sua resposta me esclareceu bastante, obrigado.

      Tambem tenho dualidades.

      Hora sou um cara apaixonado, dedicado, esforçado e maravilhoso (modestia a parte)

      Hora sou um cara frio, despreocupado, que se cansa rapido das coisas e pessoas.

      Até que isso se condense em mim e fique só em mim, eu posso lidar com isso. A solidão ja não é nem tão dolorosa quando se tem tanto com o que se preocupar dentro de si.

      Mas quando arrumo alguem para trocar sentimentos, ai o bicho pega.

      No começo é lindo, encantador, sonho.

      Mas quando os demonios começam a acordar, ai é sofrimento na certa.

      Sem contar que a outra pessoa tambem tem lá suas dualidades.

      No final eu me pergunto se nasci para ficar sozinho. Uma pergunta que se responderá com o tempo. Os mais proximos dizem que não… mas eu acho que é so para me acalentar.

      Nessas e outras a vida segue.

      Até novos ventos, senhorita o/

      Curtir

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