Solidão a dois… O poliamor e a complexidade de amar

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Imagem retirada do site: sucessonosrelacionamentos.com.br

 Solidão a dois de dia
Faz calor, depois faz frio
você diz: já foi
Eu concordo contigo
você sai de perto
Eu penso em suicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta
com as mesmas notícias (Cazuza)

 

Eu sou uma escritora de coisas pesadas, poucas, pouquíssimas pessoas sabem desse meu lado mais caliente, mas não é para mostrar meus textos que eu vim aqui, na verdade os leitores do blog raramente vão descobrir esse meu lado, entretanto entrei nesse tema por um simples fato eu acredito no poliamor,  o amor além das convenções sociais, um amor que não se contenta em ser só a dois, mas eu sou um contraponto, minhas histórias continuam sendo monogâmicas e cedendo ao que a sociedade acredita ser o certo.

A sociedade nos diz ‘’e viveram felizes para sempre’’, que ‘’ele era o único e verdadeiro’’, que ‘’só existe um único amor’’, isso não é mentira, mas também não é verdade, existem pessoas que amam demais, que não se contentam em sentir um único olhar e que amam amar e não se sentirem presas a determinadas convenções. Existem pessoas que amam amar loucamente o mundo, que dizem “eu te amo” para o vento enquanto beijam o mar.

O poliamor não é um fetiche, veneração a masculinidade ou feminilidade, poliamor é assumir um amor além, com respeito, com diálogo, um amor partilhado e ao mesmo tempo ampliado, amar é se doar, estar em um relacionamento poligâmico é entender que todas as partes, tem voz, não existe líder, existe amor, não se ama sozinho, se ama sendo correspondido, partilhando e não se reprimindo, afinal poli no latím significa vários, amor entre várias pessoas.

Amar, amar e amar muito, isso é poliamor, é sentir e ser sentida entre os versos de mais de uma boca, entre os olhares horas tão calmos, horas devoradores, poliamor é desejo, tesão, carinho, atenção.

O fato de eu acreditar no poliamor não significa que eu não entre em um relacionamento a dois, significa apenas que eu aceite que existam enumeras chances de eu me pegar amando alguém que não é meu companheiro, significa que meu amor não cabe a nós dois, significa dizer que eu vou me sentir só em algum momento por não estar completa, significa dizer que eu provavelmente seja uma pessoa bem resolvida quanto a minha sexualidade e que não imponha sobre ela rótulos.

A forma mais conhecida de poliamor é a poligamia, essa forma na verdade é bem recriminada pelos que acreditam no poliamor, (tipo eu), a ideia da poligamia se encontra ligada a arem, a disputa ciúmes e muitas vezes ao não diálogo, em sua maioria não existe um convívio entre todos e só entre o casal, a figura central e seus ou suas parceiras, é um relacionamento a dois, baseado no controle e na afirmação de poder.

A polifidelidade como o nome diz preza a fidelidade dos membros daquele relacionamento, seguindo as regras da monogamia, eles se relacionam entre si e são felizes assim, se relacionando e se amando, todos ao mesmo tempo, ou não.

Existe ainda os famosos relacionamentos abertos, onde os dois parceiros ou apenas um tem relações extraconjugais, baseadas apenas no desejo, continuam tendo um relacionamento a dois, não considerando as relações extras como traição.

Eu só entro em relacionamentos quando eu amo, eu entro em um relacionamento conjugando o verbo amar, mergulho, solto de cabeça, mas eu saio com a mesma sintonia que entrei quando não me sinto inteira, correspondida, minha inconstância me permite amar até mesmo quando o relacionamento termina, o amor não acaba ele estaciona e fica ali no cantinho, escondido, paradinho naquele local tão pequeno, esperando para ser desperto ou apenas abandonado ali.

O maior erro dos términos é a doce e perversa ilusão de se esperar que tudo vai ser apagado, não vai, vai ficar tudo paradinho ali, então uma boa forma de se terminar uma coisa é aceitar que iniciar aquilo não foi um erro, foi apenas um desvio, houveram tropeços mas também felicidades, acabe algo compreendo que você não é culpada ou culpado, as coisas só não podiam ficar daquela forma, por vezes imutáveis e não satisfatórias a ambos.

Amar é isso e também aquilo, amar é dizer sim e dizer não, amar é dividir e agregar, amar é odiar a sensação de se te amor. Amar é um erro matemático onde dois mais dois nunca dá quatro, amar é compreender que só você amar não basta.

Não existe amar sozinho, existe amar e conjugar com outro, ou outros esse amor, amar é se olhar no espelho e falar que “eu posso ser feliz”, é acreditar que sua felicidade só depende de você, amar é fazer sua felicidade com o outro, amar é se completar com erros e acertos, amar é ri e dançar na chuva apenas encarando aquele riso te admirando enquanto se embalava ali nos seus passos tortos.

Amar é  encarar que esse relacionamento, seja ele qual for, pode não dá certo, pode ser mal interpretado, você pode não saber lidar, amar é compreensão entre todos, amar não  é subjugar. O poliamor tá bem longe de ser uma relação de controle e sim de respeito e liberdade.

Muita gente acha que liberdade sexual, é o sexo sem camisinha ou transar loucamente, na verdade a liberdade sexual é sim você ter o direito de fazer sexo com que bem entender, é você poder falar disso sem ser recriminada, é entender os seus desejos e os desejos do outro, com respeito e cuidado (usem camisinha povo!), a liberdade sexual é o caminho para aceitar que somos livres para sermos felizes e construir ou não relacionamentos.

Devia ter amado mais / Ter chorado mais / Ter visto o sol nascer Devia ter arriscado mais/ E até errado mais/ Ter feito o que eu queria fazer (Titãs)

Construir um relacionamento não é pautar todos os seus sonhos no outro, longe disso, amar a dois, três, quatro, quantos forem é respeitar, dialogar e se tornar um sabendo que vocês não são só isso, é se amar, ter seus sonhos e sonhar com o outro. Amar se torna complexo quando se confunde com prisão, o amor não é feito de amarras… O amor deve se confundir com a loucura, com os desatinos, com a liberdade e com o respeito, não existe amar só com um.

Texto publicado por Juliana Marques no dia 22/01/2016

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