Aos 18 anos

 

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Quando se tem dezoito anos, você pensa que tudo que quer é ganhar o mundo, viajar com uma mochila nas costas, desbravar rotas até então desconhecidas além da casa da sua avó em outro estado, mas ai…, bem ai você descobre que você tem que fazer o vestibular…, fazer uma opção sobre o que você quer ser quando crescer…, alguém sabe o que essa escolha significa?

Quando se tem dezoito anos tudo que você menos quer é se vê preso a uma rotina, você quer sair, namorar, beijar na boca, ir pra festas, ou só sentar no sofá e assistir aos clássicos no telecine, mas as coisas não eram bem assim, tinha que existir esse tal vestibular, que segundo o MUNDO, decidiria o que eu tinha que ser quando crescesse, eu já me sentia crescida, eu já tinha escolhas, eu tinha dezoito anos.

Fala sério, eu queria ser tanta coisa ao mesmo tempo:

Ser modista, mesmo detestando moda.

Ser Gastrônoma, mesmo minha mãe não deixando eu chegar perto das panelas.

Ser matemática, mesmo não lidando muito bem com os números.

Ser engenheira, como eu amo embrenhar entre os fios e peças, mesmo que as vezes, só as vezes eu me perca no meio deles e perca eles no meio da bagunça.

Ser mochileira e me perder no mundo, conhecer mil lugares, dormir olhando pro céu, mesmo sabendo que terei que voltar no dia seguinte…

Queria ser tanta coisa, e mesmo assim aos dezoito anos escolhi ser pedagoga, não me arrependo da escolha, mas não foi uma escolha única, acabei percebendo que queria ser mais coisas do que eu realmente poderia ser, queria ser escritora, psicóloga, roteirista, cronista. Queria fazer minhas escolhas e não deixar ninguém fazer por mim…

Quando se tem dezoito anos você acha que todas as escolhas têm que ser a certa, acabando por não perceber que errar é a coisa mais formidável de nossa existência, quando erramos conhecemos caminhos, conhecemos pessoas, conhecemos o que não queremos!

Quando se erra, estamos derrubando todos os pinos do boliche, estamos vivendo, estamos caindo e correndo ao mesmo tempo, o erro vem junto com todas aquelas emoções contraditórias que não devemos sentir, mas acabamos sentindo:

O medo de não agradar alguém,

A vontade de fugir de uma realidade,

A pressa em ser alguma coisa,

A curiosidade de se alcançar um caminho,

A insistência em apenas querer vencer uma corrida interminável contra a vida.

Não importa o motivo, o erro vai sempre existir, principalmente quando se tem dezoito anos, a vida é tão ambígua que o maior erro dela se torna não errar.

Mas o quê isso tudo tem a ver com o fim da minha graduação? É simples as inúmeras perguntas que fiz entre o primeiro e o oitavo período, me fizeram ter a consciência que eu era completamente inacabada, coisa de Pedagoga…

Quando estava na metade do curso, estava louca para me livrar daquilo tudo, esquecer as paredes cinzas da minha floresta de pedra, mas me lembro que alguém me falou que aquela de longe era a pior sensação, a pior de todas é quando você termina, você termina e aí? O que acontece? O que você vai fazer?

Você se sente perdido, bate um medo inexplicável, um medo de errar e não conseguir fazer metade das coisas que você pensou em fazer ao longo da graduação, você tem medo de se prender, de crescer, de virar adulta finalmente, tem medo da liberdade, tem medo de cair e não ter quem te levante…

E o medo, o mesmo medo de antes da faculdade, o medo que me levou a cursa-la é o mesmo medo que eu sinto quando tudo terminou…

Texto de Juliana Marques (originalmente postado no Meu Inexplicável Mundo em 31/07/2015)

 

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