A torcedora que não queria torcer

A muito tempo que eu queria escrever sobre um esporte que eu curto muito, e eu sempre fui muito reticente a escrever sobre isso, apesar de assistir a muitos anos as corridas de F1, apesar de apaixonada pelo esporte eu não sou muito conhecedora de todas as regras e das inúmeras mudanças que ocorrem ao longo dos anos.

Sempre que eu pensava em escrever, eu me perguntava os motivos que eu teria para escrever sobre um esporte que não combina em nada comigo, confesso que eu não entendo como posso gostar de algo tão diferente da minha realidade, eu tenho 7 bons motivos e outros bem razoáveis para comprovar isso:

1º – É um esporte machista, raramente você encontra pilotos mulheres, ainda que de testes, ou em funções de destaques como chefes de equipe.

2º – É definitivamente elitista, cada vez mais os custos para entrar nas categorias de acesso são exorbitantes. Até chegar ao glamour da F1 um número considerável de pilotos desiste, por perceber que aquele sonho não cabe no seu bolso. Pode até ter talento, mas não tem quem invista.

A F1 não é só a F1, existe todo um treinamento, categorias de acesso (ex.: F2, F3,…), contratos milionários.

3º – É um esporte nitidamente racista, em 71 anos o Lewis foi o único negro a participar da F1. E isso sempre me incomodou, durante os primeiros anos do Lewis na F1 o julgavam como um “encrenqueiro que se achava demais”, só que as atitudes dele eram basicamente as mesmas de outros pilotos, atitudes que os jovens pilotos têm ainda hoje, e eles não receberam/recebem os mesmos rótulos do que ele na época.

4º – Eu sempre gostei muito de histórias e F1 não tem muita história para contar, os caras correm, as vezes brigam no paddock, as vezes se batem na pista, e depois vão viver suas vidas, não tem cinegrafista para acompanhar o barraco.

Durante boa parte dos anos 2000 esse foi um padrão a ser seguido, descrição, sem entrevistas, sem posicionamentos polêmicos, sem nada que pudesse “melar” algum patrocínio ou que pudesse “detonar” a imagem de uma equipe. É claro que isso mudou, com o aumento da globalização, as equipes e os próprios pilotos passaram a ter um contato com o público de forma mais íntima (mas ainda assim reservada), através das redes sociais.

5 º – A resistência, eu detesto a resistência das F1, veja bem, resistir é bom, mas não é bom quando você quer permanecer com os mesmos padrões, todo mundo igualzinho, e isso acontece porque quem está no topo, quem contrata e injeta dinheiro não quer essa mudança porque se as coisas na base começarem a mudar, uma hora o topo vai mudar também e vai acabar com esse padrão hegemônico.

6º – Ao longo dos anos os pilotos mais novos vão se tornando os mais velhos, quanto mais perto dos trinta você chega menos consideração se tem por sua história, os títulos, as vitórias e tudo que sobra são os comentários que clamam pela aposentadoria precoce de alguém aos 30 anos.

É tudo muito extremo na F1, se você é novo sua estreia raramente vai ser em uma equipe “top”, então se você tá na equipe “top” e te expulsam dessa equipe e acrescentam a essa expulsão o fator idade, você vai acabar indo para uma equipe do “meio do esquadrão”.

7º – Eu sou brasileira e gosto de relações de afeto, é dicotômico as relações de afeto entre os pilotos, as vezes tem um olhar admirado em uma entrevista, um abraço de “você conseguiu cara!”, entre concorrentes, é interessante.

Dito isso, acrescentando ao fato de eu não ter formação em jornalismo e sim em Pedagogia e em Análise de sistemas, meus textos vão focar no que eu queria que as séries sobre F1 focassem, na verdade as séries sobre F1 deveriam aproximar o público e a forma como esse enxerga o capital humano da F1 e eles fazem isso de forma bem superficial.

Não espere análises técnicas, espere uma mistura estranha que envolve relações humanas.

Até o próximo texto, será que dessa vez consigo fazer uma série de textos???

Tórrido : Saudade

Tórrido, adjetivo:. quente em excesso; ardente.

Saudade, substantivo feminino: sentimento melancólico devido ao afastamento de uma pessoa, uma coisa ou um lugar, ou à ausência de experiências prazerosas já vividas

Preciso te dizer que eu errei.

Preciso te dizer que depois que eu te vi, eu me peguei pensando no que eu ainda não tinha vivido, fantasiei nosso amor, nossa casa e nossos filhos.

Preciso te dizer que eu também já te disse “eu te amo”, mas foi um engano, você nem me ouviu, mas ainda assim, mesmo sem me ouvir, você sorriu para mim.

Eu desejei ter suas mãos na minha cintura e minhas pernas circundando a sua, desejei teus lábios colados nos meus, desejei te deixar desnudo, prensado na parede, com meus lábios descendo por teu corpo. Eu desejei tanto que um dia cedi a eles e os transformei em realidade.

Preciso te dizer que era desejo.

Eu te olhei e cobicei o que não era meu, te disse eu te amo quando ninguém ouviu. Falei que seria meu quando não pertencias a ninguém, te apertei na parede e troquei minha respiração com a sua enquanto nos beijávamos.

Era uma noite tórrida no fim das contas…, mas eu me lembro de cada instante daquele pequeno e insistente momento.

Eu disse que não passaria daquilo, menti, voltei para os teus braços enquanto aproveitava teu abraço e desabotoava teus botões, te tirei a roupa e desci meus lábios por teu corpo, te jurei mentiras enquanto rodava minha saia e te arrastava para a cama.

Você me olhou em meio a surpresa e por leves instantes eu pensei que recuaríamos, mas eu estava mais uma vez errada, você me pegou pela mão e me puxou até o colchão.

Rolamos na cama em meio ao nosso riso, trocamos nosso olhar e compartilhamos segredos sem dizer uma única palavra.

Senti tua mão na alça da minha blusa enquanto perdia mais uma vez teus lábios por meu torço. Quando dei por mim eu já estava nua tentando com minhas mãos encontrar um lugar no seu corpo enquanto te olhava do alto do seu colo, sentada em sua cintura.

Era uma visão perfeita dos seus olhos, seu corpo virou meu mapa e suas mãos naquele instante se tornaram minhas guias.

Preciso dizer que não importa o que eu te diga, tudo que vai contar é o que você me prometeu.

Eu contei cada pintinha no seu corpo, contei cada uma: da pontinha do seu nariz até a ponta do seu dedão do pé.

Quando eu acabei de contar você me olhou sorrindo, se reclinou no colchão em meio a nossa bagunça particular e me deu um beijo, não um beijo voraz que me roubava os pensamentos, mas um beijo calmo e repleto de afeto.

Eu duvidei do que sentíamos enquanto via você invertendo nossas posições.

Eu me perguntei se você me amava realmente ou se amava aquele instante em particular, e como em um passo de mágica, você pareceu ouvir minha pergunta e sussurrou no pé do meu ouvido um “eu te amo”.

No fundo parecia uma trapaça para me fazer dizer o mesmo.

Sua boca desceu por meu pescoço, até chegar nos meus seios e me arrancar gemidos, eu senti cada dente me arranhando e sugando, eu arfei e você riu sem me olhar continuando sua árdua missão em encontrar diferentes maneiras de me tirar palavras.

Eu não te disse “eu te amo”, mas amei sentir sua boca me marcando, a sensação molhada que deixava no meu corpo quente, me afoguei no prazer que só você parecia saber me dar.

Eu realmente me permiti acreditar na sua promessa: de que iria ficar, que tudo permaneceria bem, que seríamos nós dois contra o mundo.

Confesso, eu sabia que você não iria ficar e talvez eu também não quisesse isso, mas ainda assim, foi bom saber que naqueles poucos instantes em que estivemos juntos você quis ficar, ficar comigo e por mim, quis me amar e fazer de nossas ilusões realidade.

Você não mentiu, naquela fração de tempo só existíamos nós no mundo, então tudo que disse ali, naquele quarto, era verdade.

Eu achei que eu te amava, mas amava o som da sua boca me dizendo o que eu queria ouvir, me fazendo sentir o que eu nunca senti.

Eu amei a forma como você parecia me ouvir sem eu nem mesmo falar, eu amei te ouvir enquanto encostava meu ouvido no teu peito e sentia suas mãos no emaranhado dos meus cabelos.

Eu amei ouvir nossos corpos no silêncio daquele quarto.

Eu amava teu toque tentando me descobrir. Amava a forma como nossas mãos pareciam tão perfeitas juntas em meio a nossa bagunça.

Eu amava o toque dos teus lábios me falando coisas indecifráveis enquanto dançava uma valsa inquestionável com sua língua.

Amava sentir suas mãos subindo por minhas pernas, era um misto de temperaturas, me arrepiava por inteira, sentir a pressão dos teus dedos nelas, me fazendo sentir algo que eu não sabia o que era, me fazendo perder as palavras e encontrar o instinto de me manter livre para receber cada parte de você.

Eu menti. Menti mais de uma vez, eu amei por mais de uma vez naqueles poucos instantes, amei segurar seus cabelos enquanto sua boca tracejava meu corpo e me sugava, me bebendo por inteira.

Eu não queria que terminasse, não, eu não queria que terminasse, eu queria te amar do jeito que você me amava.

Ansiedade: Solidão

Gatilho: Crise de ansiedade.


ho’oponopono, sinto muito, me perdoe, te amo e sou grato

O amor é um Deus de palavras profanas, que embala nossos sonhos e acalenta nossos corações. – Juliana M.


Ele proferiu palavras mundanas e se desesperou com o que sentiu, o ar que se alojava em seu ventre o impedia de respirar, era um peso que o paralisava no lugar.

Suas mãos tremulas manchavam sua pele, elas tracejavam caminhos incertos, ele se sentiu incapaz de controlar qualquer ato de seu próprio corpo, os primeiros soluços vieram de forma sôfrega, mas não tinham a intensidade de quando o ar finalmente saiu.

Quando o ar fugiu por seus lábios, ele sentiu que trouxe junto toda a sua vida, seu mundo desabou ali naquele instante, ele nem ao menos controlou tudo que saiu de dentro de si, os soluços já não cabiam dentro dele.

Quis se manter de pé, mas no momento que tudo aquilo saiu de dentro de si, saiu também seu equilíbrio, ele foi ao chão e não conseguiu mais se reerguer. É difícil para uma pessoa adulta admitir que seu chão tinha ruído e que ele tinha desabado, mas esse era o fato.

Repentinamente tudo pareceu escurecer e ele que já se via tão sozinho, se sentiu ainda mais vazio. Não conseguia sentir nada além de uma dor intensa, que se fazia presente em todo seu corpo.

Então ele resolveu mentir, mas não tinha ninguém além dele para enganar, ele mentiu para si mesmo, “vai ficar tudo bem”, ele sabia que era mentira, mas mesmo assim repetiu incansavelmente na frustrante missão de fazer tudo aquilo passar.

Não tinha mais nada para sair, tudo que restou dentro dele era o silêncio, que fazia questão de ocupar cada espaço do seu corpo. Seu silêncio era pesaroso e cheio de rancor, ele era frustrante.

Ele deu tanto de si para todos e tudo que recebeu foi o silêncio como recompensa, o peso das palavras que ele nunca falou e de todas as que já ouviu, chegaram a sua garganta e mais uma vez seu peito se encheu de uma dor, uma dor pequena que estava guardada dentro de si e que se inflamou com o seu silêncio.

O silêncio era tão assustador que ironicamente se tornava ensurdecedor, ele sentia seu peito arder e quando menos percebeu o barulho ritmado de seu coração invadiu seus ouvidos, era ainda mais assustador, era uma batida sem ritmo que se atropelava e levava junto seu corpo já tão frágil.

Ele tentou se encolher em meio a toda aquela tempestade que ele havia se tornado, sentiu o vento frio mais uma vez invadindo seu corpo, era um vento tão forte que levava a cada sopro um pouco do que restava de sua existência.

Ele não queria desistir, mas ele se sentiu encharcado pela tempestade, seus pés não tinham força para se levantar, seu peito queimava, sua garganta ardia, não restava quase nada de si, mas ainda assim ele não queria ir, ele queria ficar e sentir cada parte de tudo aquilo que ele já havia sido, ele queria que pedissem para que ele ficasse.

Em meio a inconsciência que tomava conta de todo o seu ser, ele pediu para que ao menos uma pessoa em meio a tudo aquilo o entendesse, uma, só uma. Ele implorou em meio ao devastador silêncio que o engolia.

O tempo parecia perdurar por uma eternidade, estava cansado, cansado de tudo, cansado de todos os que diziam falsamente se importar, a mágoa a todo instante crescia em meio ao seu desespero.

Sentiu um toque frio lhe apertando os braços, usou a pouca força que lhe restava para tentar se desvencilhar, era como gelo, tão frio que queimava sua pele, ele se debatia tentando se afastar.

Sentiu-se ser agarrado de forma abrupta, o corpo estava imobilizado e tudo que ele sentia era dor, era sufocante e por instantes era como estar prestes a morrer afogado, era como se ele não conseguisse alcançar a borda, era desesperador.

Ele já não tinha forças, já não tinha mais noção de tempo, só sentia dor, ele desistiu, não se debateu, se rendeu ao silêncio. O aperto não diminuía pelo contrário aumentava, ele sentiu um leve acalento em seus cabelos, era quase como se o silêncio o ninasse finalmente.

De repente seu preciso silêncio teve-se invadido por uma ritmada combinação de palavras, achou que era sua mente tentando-o enganar novamente. Deixou-se enganar, seu peito inflamado começou a seguir o ritmo daquela combinação de palavras.

“Isso, devagar…”, ele começou a entender o que significavam as palavras, o toque ainda apertado continuava, mas não era frio como o gelo, agora era quente, e ele se encolheu ali, tentando a todo custo se esquentar.

Sentiu um leve toque em seu peito lhe ajudando a guiar seu ritmo, era um toque quente, ele se agarrou desesperadamente a aquilo.

“Eu estou aqui, tá tudo bem”, ele repetiu, ele repetiu internamente que não estava sozinho, ele queria que aquilo não fosse uma mentira e por isso chorou, chorou desesperadamente porque não acreditava mais nisso, ele se engasgou novamente e tudo que saiu de seus lábios era que aquilo era uma mentira, ele estava sozinho.

“Eu estou aqui, tá tudo bem”, a voz era insistente mas sua mente também era, tudo que sua voz já enfraquecida respondia era que era mentira, pois ele estava sozinho.

Em meio a todo aquele insistente diálogo ele ouviu aquilo que precisava ouvir “eu não vou sair daqui, porque eu te amo”. Então ele chorou, chorou sua tempestade caótica e se agarrou a aquela esperança de que ao menos um alguém havia se importado e o amado.

Forever

Créditos da imagem @disneystudiosbr

É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito é saber sonhar
Então, fazer valer a pena cada verso
Daquele poema sobre acreditar

(Ana Vilela)

Eu não sei vocês, mas eu me senti um tanto quanto impactada com a notícia da morte do ator Chadwick Boseman, aos 43 anos. Vocês já repararam que quando alguém morre nós falamos o nome e a idade da pessoa, como se saber a idade fosse uma desculpa para aceitar ou não a morte? Não importa se jovem ou velho aceitar a morte de alguém é uma tarefa arduamente difícil, nós nunca estamos preparados para enfrentarmos o “The end”.

Eu refleti a tarde inteira sobre como a morte de um desconhecido pode influir tanto sobre mim e não cheguei a conclusão alguma. Veja bem, Chadwick Boseman foi um ator, diretor, ativista, mas ele não era alguém que fazia parte do meu círculo social, mas ainda assim, eu senti a dor da sua perda, assim como muitas pessoas sentiram. Sempre que eu sinto essa dor por perder alguém que eu nem conheço, eu fico imaginando a dor da família.

Não existe “até amanhã” quando você perde alguém que você ama, alguém que você considera mais do que um número, um personagem ou uma representação ideológicas. Se eu senti, imagino como sentiram os seus.

Boseman, deu vida não só ao incógnito T’Challa Rei de Wakanda, personagem criado em 1966, mas também deu vida a inúmeros outros personagens em filmes como Crime sem saída (2019), Destacamento Blood (2020), Marshall: Igualdade e Justiça (2017), bem como outros que inspiravam tanto quanto T’Challa, Pantera Negra.

Spike Lee, que dirigiu o ator em Destacamento Blood, disse que “ninguém sabia” sobre o diagnóstico de Boseman, e que foi uma surpresa para ele também. Destacamento Blood foi gravado em 2019, Chadwick Boseman foi diagnosticado com câncer em 2016, logo assim que conseguiu o papel de T’Challa e eu não consigo parar de pensar em tudo que esse homem enfrentou, afinal um diagnóstico de câncer em estágio 3 demanda uma série de tratamentos que desgastam não só fisicamente mas como psicologicamente. Como ele conseguiu?

“Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar
E sim sobre cada momento sorriso a se compartilhar
Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera a vida já ficou pra trás”

Não é tão difícil tentar entender os motivos dele não ter contado que estava doente. Imagina você receber um diagnóstico de algo que pode te matar e receber junto com isso o papel do primeiro herói negro no universo cinematográfico da Marvel. Como vocês reagiriam? Como vocês reagiriam sabendo o quão representativo era o seu trabalho para outrem? É triste, mas mais triste ainda é que quando olhamos novamente todas as aparições dele em cena e fora dela, percebemos que tudo foi calculado.

Em uma rápida pesquisa na rede, podemos encontrar uma matéria que faz referência a ele visitar hospitais com crianças com câncer e manter contato com elas, durante as gravações de Pantera Negra, elas queriam muito viver para assistir o filme, pois o herói negro as representava. Elas morreram antes do filme, acho que nunca saberemos como esse homem se sentiu ao longo desses quatro anos de tratamento.

Boseman representou a luta por igualdades raciais, era inspirador e como ele bem disse em um discurso, ele foi “jovem, talentoso e negro” e imortalizou isso no filme Pantera Negra:

“Todos nós sabemos o que é ouvir que não há um lugar para você ser apresentado. No entanto, você é jovem, talentoso e negro. Nós sabemos o que é ouvir que não há uma tela para você ser apresentado, um palco para você ser apresentado. Nós sabemos o que é ser a cauda e não a cabeça. Nós sabemos o que é estar por baixo e não por cima.” – Discurso de Chadwick Boseman na noite do SAG Awards.

“É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito é saber sonhar
Então, fazer valer a pena cada verso
Daquele poema sobre acreditar”

Eu acho que viver personagens foi a sua forma de se fazer imortal e de permanecer vivo, “wakanda forever”, ele viveu intensamente cada um dos seus personagens desde 2016, deixou sua marca, seus gestos e ideais gravados para sempre em seus personagens, ele se fez imortal, poucas pessoas sabiam que ele estava doente e talvez se os produtores soubessem ele teria sido impedido de se sentir vivo, de fazer o que amava fazer, ele seria impedido de acreditar, de acreditar na vida e no amanhã.

Chadwick Boseman inspirou milhares de pessoas com seus discursos, com sua atuação, com seus posicionamentos, agora sabemos porque suas palavras tinham tanta paixão, porque suas ações tinham tanto direcionamento. Sim, ele viveu intensamente cada instante de sua vida e fez isso propositalmente para que lembrássemos dele assim dessa forma.

Eu nunca lidei muito bem com a morte, nem sei se um dia saberei lidar, mas eu entendo que Boseman preferiu se tornar imortal à ser lembrado como o jovem ator negro que foi impedido pela doença de fazer o que amava. Quando iniciei esse texto citei a música “Trem Bala” , eu fiquei com a letra dessa música o dia inteiro na cabeça, essa música fala de sonhos, acreditar e viver, essa musica me remeteu a Chadwick Boseman que sempre estava sorrindo em suas fotos e falando muito com seus olhos, que sempre estava emocionado e que sempre expressava através de sua arte o seu amor pela vida.

“Segura teu filho no colo
Sorria e abrace teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem-bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir”

Gratidão Chadwick Boseman por ter sido inspiração em todos os seus dias, por sua luta para se tornar imortal, por seu amor pela vida e por todas as suas palavras.


Música utilizada, Trem Bala de autoria de Ana Vilela disponível em:


Fontes para o texto:

https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/08/29/chadwick-boseman-conversou-com-criancas-com-cancer-durante-pantera-negra.htm

https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/08/29/amigo-divulga-chat-com-boseman-ele-sabia-quao-precioso-era-cada-momento.htm

https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/08/29/chadwick-boseman-gravou-pantera-negra-apos-o-diagnostico-de-cancer.htm

https://www.terra.com.br/diversao/gente/ninguem-sabia-diz-spike-lee-sobre-chadwick-boseman,e545a6dee008fc3185ac21f40b08c849wejim29h.html

portalrapmais.com – portalrapmais.com/discurso-inspirador-de-chadwick-boseman-sobre-serjovem-talentoso-e-negro-viraliza-na-internet-apos-sua-morte/

Carta 2: Saudade

Felipe Catto – Saga

Confesso que tenho saudade do seu corpo,

Uma saudade tão palpável que quase posso te vê na minha frente, me falando de amor com os olhos, me devorando em palavras indecifráveis enquanto reconhecia meu corpo com sua boca.

Tenho saudade de como você enlaçava nossas mãos, enquanto fazíamos das paredes do velho apartamento nossa cama.

Eu ainda sinto teu gosto na minha boca, o gosto do teu pescoço, do teu suor, do teu prazer. Sinto teu gosto enquanto sinto a pressão da parede em minhas costas e tua pele em minhas unhas.

Ainda ouço teus gemidos, consigo ver seus lábios se abrindo enquanto sentia meus dentes na tua pele, seus olhos se fechavam quase que automaticamente, você me encarava rápido e depois voltava a se perder nos meus seios.

Sinto saudade de como seus lábios ficam vermelhos e inchados e de como as pontas dos meus dedos ficam vermelhas enquanto eu me perdia no seu cheiro e sua boca se perdia em meu corpo.

Sinto saudade da sua boca e de como ela dizia coisas que eu não sabia precisar ouvir enquanto me sugava em prazer.

Sinto saudade de te perder no meu corpo, de ficar cega de prazer e de só sentir teu rastro.

Sinto saudade de te ouvir dizendo que me amava enquanto me encarava timidamente esperando que eu te dissesse o mesmo.

Sinto saudade de como eu não precisava dizer com palavras o que eu sentia, sinto saudade de como minhas palavras mudas se faziam presente por minhas pernas encontrando as suas.

Sinto saudade dos seus beijos vorazes.

Sinto saudade do teu cheiro no quarto, dos lençóis amarrotados que não fazem mais parte de nossas bagunças.

Sinto saudade das nossas conversas repentinas no meio da noite, da nossa respiração apertada e dos barulhos produzidos por nossos corpos nos fazendo lembrar da insaciável vontade de matar nossa sede.

Sinto saudade de como tínhamos facilidade de criarmos um mundo desconhecido e de como nos conhecíamos no nosso silêncio.

Sinto saudade do céu que só existe enquanto estamos juntos, das estrelas que nomeamos com nomes estranhos e dos planetas que ainda vamos conhecer.

Sinto saudade daquilo que só nós sabíamos fazer, dos nossos abraços cúmplices em meio ao nosso verão nos dias de inverno.

Só te direi mentiras.

Believer

Eu te disse, nem sempre eu vou ser a melhor versão de mim, as vezes eu vou te decepcionar e bem, isso é decepcionante. Nesse momento eu sou a pior versão de mim e isso não me dá orgulho.

Eu sei que eu sou ácida, uma agulha espetando alguém que não pode se defender, um incêndio em folhas secas, eu sou tudo isso, mas eu não sou só isso.

Eu sei o que eu sou e talvez eu goste de ser assim, talvez eu goste de não pensar em tudo que eu falo, nem nos sentimentos a minha volta, talvez eu devesse sempre ter sido assim. A probabilidade de qualquer um se envolver comigo seria remota, causaria menos dor e não estaríamos aqui nesse momento: nos encarando como dois estranhos sem nada a dizer.

As palavras sempre somem em meio a desilusão, é quase como um vidro embaçado pelo sereno. Tentamos voltar no tempo e viver como se tudo que vivemos juntos nunca tivesse existido. É como reiniciar o jogo e pular uma fase para chegar direto no final, eu não sei o quão bom jogador você é, mas isso não funcionou comigo.

Tudo é apenas um talvez, essa é a pior versão de mim e não significa que eu também não esteja me machucando enquanto estou vivendo sendo assim. Seria hipocrisia eu falar que eu não sei o que falei, ou que eu não me arrependo da forma como falei, mas não posso voltar no tempo, sinto muito se eu fui a pior versão de mim com quem só conhecia a melhor versão.

Mentira, você já conhecia meus pecados, meus delitos, meus erros e minhas insistências, talvez dessa vez nós dois tenhamos caído no mesmo ponto do jogo, por motivos diferentes, de formas diferentes, talvez eu tenha realmente sido a pior versão e isso tenha me feito voltar ao início do jogo e zerar todas as fases que eu já tinha vencido.

Eu escrevi durante tanto tempo sobre os silêncios dos outros que esqueci de escrever sobre a tempestade que eu sou. O que eu sou é tão devastador quanto o que existe em você, só que existe uma diferença bem grande entre eu e você:

Você convive com tempestades desde que nasceu e não consegue as controlar elas moram dentro de você e eu, bem eu sou uma tempestade a todo instante que as vezes pode trazer abonança e as vezes devastação.

Não vou pedir desculpa por ser quem eu sou, por meus destemperos nas horas impróprias, por minhas palavras repletas daquilo que você nunca esperou ouvir da forma que ouviu de mim.  Seu erro foi não entender que não era com você e transformar tudo isso em uma leitura particular do que eu sentia por você.

Isso foi realmente um erro, eu ainda te amo como sempre amei, um amor destemperado, repleto de despropósitos e completamente inesperados. Espero que eu ainda te ame durante um bom tempo, eu gosto de amar as pessoas. Eu gosto de te amar porque assim como eu, você não é perfeito, é cheio de defeitos, é dúbio e cheio de sentimentos a flor da pele.

Te amar é fácil, te fazer entender que eu te amo é difícil, é como se eu estivesse em um jogo onde tenho que dar um passo de cada vez e as vezes em uma jogada errada eu tenho que voltar alguns passos para trás. É um desafio, um intenso e divertido desafio que as vezes é recompensado com um sorriso bem pequeno ou um abraço meio sem jeito, sem palavras e sem propósitos, mas ainda assim cheio de sentimentos.

Eu não sei quantos passos eu dei para trás, mas sei que a cada dia eu estou mais perto da linha de largada e menos perto da de saída, eu não estou cansada de jogar esse jogo e nem me sentindo culpada por errar tantas vezes, eu jogo sozinha, sem direito a dicas então é um desafio, eu gosto de desafios, reiniciar o jogo as vezes é bom ao menos já se sabe onde não se deve errar.

É difícil entender, eu assumo, as horas e os dias passam e nós nos distanciamos, não pela forma como agi, mas por você transformar tudo que aconteceu antes em uma mentira, como se eu nunca tivesse sido eu mesma antes, como se todos os dias anteriores fossem uma história para ninar crianças. Você é o dado que dita quantas casas eu tenho que voltar até finalmente eu poder te alcançar novamente.

Quando você reinicia o jogo quem está do seu lado vai sempre pensar que você vai cair no mesmo ponto novamente, vai cometer os mesmos erros e vai desistir em algum momento, porque nem todo mundo persiste. Então enquanto você espera que eu não erre, você também está esperando por todos os meus erros para me afastar ainda mais de você. É assim né? Sempre foi.

Eu sou muito boa em ler pessoas, em ler silêncios, mas eu não sou boa em deixar as pessoas me lerem e isso torna tudo muito difícil, eu jogo sozinha, eu jogo contra mim.

Eu sou tudo que você espera que eu não seja, seu erro foi também o meu erro, acreditamos que eu conseguiria não ser aquilo que eu sou, humana. Você também não é o que eu esperava e talvez por isso eu entenda o que você sentiu ao me ver ruir.

Eu chorei quando você ruiu pela primeira vez e me mostrou que nada era perfeito, você ruiu tantas e tantas vezes diante de mim que eu só consegui pensar que eu tinha que me manter inteira para não te deixar quebrar ainda mais.

Eu definitivamente não deveria ter feito isso. Eu menti sobre a única coisa que eu não deveria ter mentido. Eu erro, cometo meus pecados e não me arrependo, sou insana nas horas vagas e isso é como chuva no deserto é uma tempestade devastadora dentro de mim.

Carta 1 – Despedida

Silêncio.

De todos os silêncios que eu poderia desejar, o seu silêncio é o pior de todos. Não percebi quando começou e não sei se um dia vai terminar.

Barulho. 

De todos os barulhos que eu esperava ouvir, o som da sua voz me pedindo para eu não voltar era o último som que eu imaginei quebrar a barreira do nosso silêncio.

Loop

Você me mandando seguir sem olhar para trás é tudo que se repete em minha memória, de forma vagarosa e cruel, é como uma janela se estilhaçando no chão.

Esquecimento. 

Não vou dizer que eu espero que se lembre de mim para todo o sempre, eu prometo que você não vai virar uma vaga lembrança, mas não tenho certeza se ainda vou lembrar do seu vago sorriso enquanto dividimos histórias que nunca vivemos. 

Lembranças. 

Me pergunto quantas lembranças de verdade conseguimos criar juntos sem desistirmos dos nossos planos?

Medo.

Confesso que eu tenho medo de te esquecer e, que talvez me esquecer não seja o seu medo. 

Verdades. 

Talvez nossas vidas se tornem melhores se não estivermos juntos. Nos machucaríamos bem menos em meio a todas as nossas expectativas. 

Mentiras. 

Toda vez que eu abrir um livro complicado que explique coisas simples, eu vou me lembrar de você, mas vou fingir não lembrar, fingir te esquecer e, ignorar todas as páginas que dizem tanto sobre você. 

Ilusão

Aceito que você possa me esquecer, mas lá no fundo eu ainda terei a ilusão de que tudo vai terminar bem de alguma forma, terminar bem pode ser que nós nunca nos encontremos novamente.

Desculpa.

Eu deveria ter cometido menos erros e pedido mais desculpas.

Expectativa. 

Eu te fiz acreditar que eu era diferente, que eu te ouviria em todas as situações, que eu te abraçaria em todos os momentos e que eu te amaria independente do que houvesse. Era verdade, mas também era mentira. Tem dias que eu não me amo, que eu não me ouço, que eu não me entendo. 

Solitude. 

Eu vivo entre muitos, gosto de vozes e de barulho, mas ainda assim sinto falta do seu silêncio que ensurdece meus momentos mais peculiares.

Descomplica EAD para crianças…

Esses dias eu fiquei me perguntando sobre o papel da tecnologia na educação? Para quem não sabe eu sou pedagoga, técnica de informática e graduanda de análise de sistemas. Muita gente tem achado muito legal que as escolas finalmente introduziram a tecnologia na Educação.

Não acho que o que tá ocorrendo hoje é introdução da tecnologia na educação. É uma corrida mercadológica que ninguém se preparou para realizar. Sinceramente, eu no auge dos meus 28 anos tenho dificuldade em acompanhar aulas EAD, fico imaginando uma criança que nunca recebeu esse tipo de estímulo.

Todo mundo teve que se adaptar a uma nova realidade, escolas particulares pequenas precisam se manter, se não mostrarem serviço e não agradarem aos pais, obviamente que não vão ter lucro. Escolas grandes precisam mostrar aos pais o motivo da mensalidade ser tão cara. É uma competição, se os pais não gostarem do que foi aplicado e se acharem que a qualidade caiu, eles tiram seus filhos das escolas, o professor que perder mais aluno é demitido, isso não é segredo e todo mundo sabe.

A EAD que passa a ser feita nessa situação é muito diferente da que é feita normalmente, se você pensar que esses professores da Educação Básica nunca receberam treinamento para trabalhar com tutoria online e provavelmente se encontram na pressão psicológica da perda de emprego, nada vai sair com prazer e sim com muito desespero.

Imagina se você é mãe ou pai e tem que trabalhar gravando vídeos, criando conteúdo online, com seu filho gritando do outro lado da sala, lendo postagem de pais reclamando que as escolas não param de dar conteúdo para fazer em casa e que eles não sabem explicar o conteúdo, imagina se encontrar em constante julgamento mesmo trabalhando mais horas do que deveria, gastando mais do que poderia?

Deixo essa reflexão para o povo que diz que a tecnologia finalmente tá dentro da sala de aula.

Conjugar…

Escreva os sentimentos que não são seus…♥

Silêncio!?

Vazio, dor, angustia, medo!

Barulho…, com todas as vozes e meus medos!

O silêncio esconde tudo que eu queria viver.

O silêncio me machuca pois é vazio e o vazio é assustador.

O silêncio me lembra constantemente daquilo que tento esquecer: Meus desejos.

Desejo?

Tenho medo do que desejo.

Desejo aquilo que por vezes não posso ter.

Desejo coisas que me preencham e que ninguém entende,

Desejo saudades de amores inventados,

Desejo pedaços das brigas que não tive por frases que não falei.

Desejo as brigas que não briguei, por coisas que acredito.

Desejo aquilo que já tenho, mas que não sei como sentir.

Desejo sentir de forma diferente aquilo que existe em mim.

Sinto?

Não sinto nada além do que não queria sentir.

Sinto que não tenho espaço no mundo, e que o mundo é pequeno para mim.

Sinto o vazio por existir.

Sinto o desejo de querer estourar a bolha que me impede de voar.

Sinto aquilo que me falam.

As vezes dói na hora, as vezes depois, mas sempre dói.

Sinto o medo por tudo que sinto em mim e eu só quero que tudo pare, que tudo passe.

Querer?

Já não sei o que quero, o que sinto, o que desejo.

Quero uma pausa no tempo,

Quero me lembrar novamente do meu amor,

Quero entender onde foi que deixei de sentir e me perdi no meio de tudo em mim.

Eu quero entender o que é existir.

Armário bagunçado

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Para uma outra criança que encontrei por aí… talvez ela seja tão bruxa quanto eu.

Tudo era uma confusão.

Não sabia o que sentia, não entendia nada que acontecia, as vezes tudo que sabia era que a incerteza eram sua única certeza;

Não contava mais quantas vezes seu riso escapou ou quantas vezes suas lágrimas surgiam sem motivo aparente.

Não entendia como respirar podia ajudar, sentir a vida se esvaindo entre sua corrente respiratória nunca ajudou.

Era pesado sentir tudo aquilo entrando e saindo de dentro de si…

Contou todas as vezes que deixou cair algo importante enquanto respirava:

Deixou cair seu coração…

Deixou cair seu equilíbrio…

Deixou cair o que acreditava ser certo.

Tudo escapou naquele espaço tão pequeno que existia entre os sentimentos e o vazio.

Sentir…

Era bom sentir, sabia que vivia assim dessa forma: sentindo.

Era ruim sentir, era devastador não poder controlar o que sentia.

Tentou guardar tudo no armário, mas era muita coisa e quase nada cabia naquele espaço tão pequeno, as portas logo cederam e tudo desmoronou em cima de si.

O ar fugiu, e tudo ficou mais turvo do que costuma ser.

Se deparou com coisas que nem ousava pensar ter guardado, havia guardado realmente muita coisa.

Encontrou seus gritos escondidos no fundo do armário.

Encontrou as palavras carregadas de sentimentos que guardou por baixo de todas as tralhas desimportantes.

Encontrou as vozes, aquelas que queria esquecer, mas que não podia negar a existência, elas se multiplicavam.

Se culpou, afinal não soube guardas as coisas dentro do armário.

Se culpou porque quando olhavam para si viam aquela bagunça toda que escapava daquele espaço tão pequeno.

Se culpou porque supostamente sua bagunça havia respingado em outras pessoas.

Era estranho, complicado e inteiramente desconfortante.

Tudo que sentia era rápido e não podia controlar, não entendia muito bem como as outras pessoas escondiam tão bem tudo dentro de seus armários.

Não entendeu quando quis se enfiar por inteiro dentro daquele espaço tão pequeno e quebrado.

Respirar doía e ninguém deveria sentir dor enquanto respirava, mas nem sempre era assim.

As vezes respirar era bom, sentir todo aquele ar correndo dentro de si era confortante, era sinal de liberdade, de vida, de história.

Queria ser como o vento, livre, entrar e sair sem pedir licença.

Queria sair sem que perguntassem o motivo, queria sentir que era vida, que era a vida que existia nos outros e em si.

Queria sentir e saber o que sentir.

Preferia pontos finais á vírgulas, não gostava de criar continuação para nada, até gostava, mas se preocupada demais com tudo, pontos finais eram rápidos emergências e não precisavam de explicação.

Era difícil entender que tudo que sentia era seu, eram suas angustias, seus medos, suas alegrias e amores, tudo era seu e de mais ninguém.

Ninguém poderia engavetar o que sentia, ou guardar nos cantos do armário aquilo que não agradava por muito tempo.

Era difícil, era dolorido, era confuso, mas também era bom, afinal as vezes é bom no meio de toda aquela bagunça que desaba sobre nós descobrirmos que lá dentro também está guardado o que somos.

É bom nos reencontrarmos, redescobrirmos o que sentimos e entender ou desentender o que nos faz chorar e sorrir.