Sem categoria

Arlindo

#ForadoPapel

Eu nunca havia lido um quadrinho no Kindle, Arlindo foi minha primeira leitura desse gênero, posso dizer que foi meu primeiro amor. Nada melhor do que ler um quadrinho brasileiro, #IlustraLu ou apenas Luiza de Souza, ilustradora de ideias e roteirista da vida, escreveu e disponibilizou Arlindo no dia do quadrinho gratuíto.

A primeira coisa que vos digo é que Arlindo além de já ser premiado no CCXP Awards, foi também premiado no troféu web quadrinho nas categorias: novo talento roteirista, novo talento desenhista, web quadrinho e publicação juvenil. Mas o que torna a história envolvente a ponto de render premios?

Com cores vibrantes que chamam a atenção logo na capa, a ilustradora foge dos contornos comuns e mistura a silhueta de seus personagens com o envolvente ritmo das músicas que embalaram a juventude na primeira década dos anos 2000. É como se a cada contorno dentro daquele…

Ver o post original 751 mais palavras

Sem categoria

Todas as nossas meias-noites

#ForadoPapel

sinopse da Amazon

Uma noveleta em clima de copa que explora as facetas do relacionamento entre uma líder de torcida e uma jogadora de futebol do time da faculdade.

Paris e Marina não tem nada em comum, exceto a paixão pelos esportes.

Enquanto Paris é uma romântica incurável, Marina terminou com sua ex-namorada pelo telefone e tem uma péssima fama dentro dos corredores da faculdade. Apesar disso, o ditado que diz que os opostos se atraem existe por um motivo e todos acham que elas formam um casal perfeito: A líder de torcida e a garota do time de futebol. E elas realmente formariam, se Paris não tivesse desaparecido sem deixar rastros.

Através de todas as madrugadas que passaram juntas, Marina precisa descobrir o que aconteceu com Paris. E decidir de uma vez por todas se o relacionamento das duas vai ser feito de vírgulas ou de pontos finais.

Escrito…

Ver o post original 486 mais palavras

Amor, NETFLIX, Opinião, Resenha, Série

Navillera – sonhar é preciso

Eu voltei, bem mais cedo do que esperávamos…

Sinopse oficial de Navillera:

Navillera acompanha Shim Deok-chul (Park In-hwan), um carteiro aposentado de 70 anos que decide realizar seu sonho de aprender balé. Sua família, incluindo sua esposa e filhos adultos, não está feliz com sua escolha, mas Deok-chul não parece inclinado a desistir. Na academia de dança, ele conhece Lee Chae-rok (Song Kang), um bailarino de 23 anos que se interessou pela modalidade depois de experimentar diferentes esportes – desde beisebol até natação, passando por futebol. Chae-rok também não foi talentoso em nenhuma dessas atividades e acabou seguindo os passos da falecida mãe, que também era bailarina. Agora enfrentando dificuldades financeiras e completamente afastado do pai, o jovem pensa em abandonar o balé, até que seu caminho se cruza com o de Deok-chul. Um encontro que vai mudar a vida dos dois para sempre.

Navillera é uma série Original Netflix, Sul- Coreana, criada pelo Studio Dragon, se baseia no webtoon de mesmo nome dos autores Hun e Ji-min. Sendo dirigido por Han Dong-Hwa e escrito por Lee Eun Mi, possui um total de 12 episódios. 

Esse dorama me arrancou lágrimas nos momentos finais, para quem se pergunta de onde surgiu o nome, se aquiete até o final você descobre que o nome veio da relação do bater das asas das borboletas com a suavidade dos passos de balé e que também nomeia uma das peças do drama. 

Eu gosto de dramas não convencionais, que não envolvem um triângulo amoroso, e fogem da mocinha indefesa que necessita ser salva por alguém. Em Navillera os dois personagens principais têm idades muito extremas, Sim Deok-Chool (Park In-Hwan) acabou de completar 70 anos e revive de forma acidental sua paixão pelo balé ao esbarrar com o estúdio de dança no qual Lee Chae-rock (Song Kang), um jovem e talentoso bailarino treina. 

Após Sin Deok-Chool encontrar o bailarino pela primeira vez, ele revive suas motivações para seguir adiante, o que esperar da vida aos setenta anos? Um pai de família, um homem aposentado, casado, encontra de forma poética e quase que de repente um novo significado para a palavra sonho, e ele lutou para seguir com esse sonho, lutou de forma quase insistente contra a opinião da família, a idade e a mente, ele lutou contra si próprio. 

Quando Lee Chae-rok se torna o professor de Sin Deok-Chool não esperava que fosse aprender mais do que ensinar, depois de uma crise de pânico e de fugir de uma competição importante para ir esperar o pai sair da prisão, ele sentiu seus sonhos se esvaindo pelos dedos, o que esperar, quando não se tem o que esperar? Sin Deok-Chool foi a razão de Lee Chae-rok continuar a sonhar, da mesma forma Lee Chae-rok trouxe de volta os sonhos do mais velho, ele se tornou uma espécie de caixa de pandora que quando aberta libertava as memórias.

Navillera é uma história sobre sonhar e desistir dos sonhos, um pai que deixa de seguir seus sonhos para que os filhos possam ter uma vida melhor, um irmão mais velho que deixa de viver seu sonho para que os irmãos mais novos e os pais não passem por mais dificuldades, uma mãe que passa a ver na felicidade dos filhos o seu objetivo ou desiste de uma futura carreira porque sua filha necessitava de si, um médico que desiste da carreira por perder um paciente,… Não importa por qual motivo, Navillera prova de maneira muito doce que às vezes por uma força maior somos impedidos de sonhar, e às vezes não importa a nossa idade só precisamos de alguém para nos ajudar a lembrar de quão bom é lutar por nossos sonhos … As vezes tudo que precisamos quando caímos é de alguém para nos ajudar a levantar.

Durante cada episódio cada personagem de alguma forma revisita seus objetivos, os motivos de suas desistências, seus medos e angustias, Sin Deok-chool passa a ser uma fonte de motivação e por mais que insistam em dizer que ele não vai conseguir, ele insiste em dizer que esse é o tempo dele sonhar, e que ninguém deveria se sentir inibido a fazer o mesmo, ele passa então a ser um apoio para os que estavam à sua volta. 

Com bilhetes na geladeira Lee Chae-rok nos lembra a todo instante que nos escondemos em máscaras para nos defender, coube aos seus dois mentores a tarefa de achar uma motivação, sentimentos e uma ambição para ele. Quando se é jovem todos insistem em dizer que os sonhos podem ser adiados e conforme o tempo vai passando com a mesma insistência nos falam que não se pode mais sonhar.

Conforme os episódios vão decorrendo percebemos que a relação dos dois personagens principais ultrapassam a de um professor e um aluno, à medida que o tempo passa a relação construída de forma tão linear e síncrona é a de um jovem que precisa se sentir cuidado com a de um idoso que passa a necessitar de alguns cuidados, ao mesmo tempo que não deixa de cuidar dos outros. Os dois facilmente transmitem a quem assiste a relação é a de um avô com seu neto.

Assista e se emocione.

Sem categoria

Manual Gay para Sobreviver a uma História de Terror

#ForadoPapel

Sinopse oficial da Loja Amazon:

“Covid-19, festas clandestinas, aglomerações e crescimento no número de infectados. Esses foram alguns elementos que marcaram a virada de ano dos brasileiros e que também fazem parte do livro O Manual Gay Para Sobreviver a Uma História de Terror. Na trama, um grupo de jovens paulistanos resolve promover uma celebração clandestina que é invadida por um assassino em série que usa máscara cirúrgica e face shield e que mata os participantes um a um. Enquanto isso, o protagonista acredita que o fato de ser um homem gay pode ajudá-lo a sobreviver a essa caçada.”

Escrito por Rafael Teixeira, “Manual Gay para Sobreviver a uma História de Terror”, é o livro perfeito para amantes de filmes de terror da década de 90, foi o primeiro livro que li após comprar o meu tão esperado Kindle, como sou uma obsessiva compulsiva, quando o livro…

Ver o post original 227 mais palavras

NETFLIX, Resenha, Série, Série, Sem categoria

Rebelde: Lo que no fue no será

Logo da série da Netflix/2021

Eu não sou boa em escrever resenha, porém após assistir a primeira e a segunda temporada de Rebelde(2022/Netflix), isso me fez ficar um tanto quanto reflexiva sobre o que é considerado qualidade nos dias atuais, e sim eu gostei da construção da história, as atuações foram impecáveis (um salve para a talentosa Giovanna Grigio), a escalação de um elenco tão diversificado é um acerto essencial no século XXI, sem dúvida é uma série que cativa, apesar de pecar na superficialidade que trata suas tramas.

Eu sempre fui fascinada pelas artes cênicas, o poder de transmitir ao outro uma informação/sentimento apenas com o corpo sem dizer uma única palavra vivendo algo que não faz parte de você, criando sensações em desconhecidos que te assistem, é sim algo fascinante e ainda assim perturbador.

elenco principal da série

Pensando em metas e objetivos, quais são os dessa versão de Rebelde? Particularmente eu responderia que é apresentar alguns talentos que não eram tão conhecidos (não para um público Netflix) dentro de um ambiente nostálgico, afinal inegavelmente mesmo que a trama se torne atual ainda assim se mistura com as narrativas da versão Mexicana de 2004/2006

Adolescentes complicados, relações familiares complexas sempre deram um bom enredo e geraram uma certa identificação, mesmo que a maioria dos personagens venham de uma realidade social diferente da do público que está assistindo. Voltando a série, eu achei formidável a ideia de recriar o EWS, quase 17/18 anos depois, foi espetacular mostrar o que aconteceu com a instituição em consequência da ação da criação da banda Rebelde, a nova versão é mais sobre o EWS do que sobre Rebelde, o ambiente ganhou um programa de excelência musical considerado o melhor pelo público latino, mas não é só isso, ganhou também outros programas como o de administração e robótica, estudar lá ou em qualquer outra filial é se encontrar entre os melhores.

Primeiro dia de aula Emilia (Giovanna Grigio) apresentando o EWS

Se considerarmos então o foco da série como o EWS e o desenvolvimento dos personagens dentro dessa instituição podemos então considerar que ter apenas dez episódios por temporada, se torna algo impossível explorar todas as narrativas expostas ali, e limita os enredos a ficarem dentro do ambiente do EWS. Se têm personagens principais e uma penca de personagens secundários que possuem narrativas que mereciam ser trabalhadas com mais afinco, em uma novela com toda certeza seriam bem mais exploradas.

Pôster Rebelde 2004/2006 – México

A versão Mexicana (2004/2006) que a maioria de nós conhece possui 440 episódios e 3 temporadas, manter o sucesso e a qualidade durante tanto tempo e de forma tão linear fez com que a novela, mesmo sendo uma obra inspirada em uma versão argentina chamada de Rebelde Way (Cris Morena/2002-2003), se tornasse então a mais conhecida das versões. A versão Mexicana se tornou a fórmula do sucesso, as adaptações que vieram depois se baseiam no sucesso da versão Mexicana para assim tentar alcançar seu próprio sucesso, a versão atual de Rebelde (2021-2022/Netflix) deixa isso muito claro, ela traz elementos de nostalgia ao público a todo instante, os uniformes, a rivalidade entre as personagens principais, Colucci, Celina, Pilar e as histórias dos seis membros da Rebelde que rondam a trama como um fantasma

Pilar e Celina

Esse revival mantém viva a história de 2004 como se nada tivesse terminado, mantendo acesa a chama de todo fã do RBD que sonha com a volta do grupo e novas turnês, foi uma jogada muito inteligente, mesmo que os membros do grupo sejam apenas mencionados, ainda assim eles se encontram presentes nas narrativas, mas isso é suficiente?

Mesmo com episódios relativamente longos é muito fácil em um fim de semana de folga maratonar as duas temporada, se é fácil maratonar, significa que tem potencial para ser um viral. É uma história com enredo próprio, que mistura os problemas atuais com narrativas já conhecidas, e para mim o problema é exatamente esse, são tantas histórias para cada personagem que dez episódios se torna muito pouco tempo para as explorar, as histórias não tem continuidade, tudo é tão rápido, que até as músicas ganham uma interpretação rápida, e é por isso que para mim o personagem principal é o EWS, todas as narrativas morrem fora da instituição. 

Vou dar um exemplo da minha interpretação favorita, Franco Masini para mim ganhou o personagem com mais potencial para ter uma trama explorada, entretanto não foi o que aconteceu. São tantas ramificações para serem exploradas que ao longo da primeira temporada eu fiquei esperando esse desenvolvimento que não aconteceu de forma tão profunda assim, afinal são dezenas de histórias, dez episódios e entorno de 35 minutos em cada episódio, particularmente eu esperava mais conflitos entre Luka Colucci e Marcelo (o pai), por exemplo o mecanismo de defesa de Luka, é ter um comportamento vilanesco com o resto do mundo, tá sempre atacando para não ser atacado, se alia a seita, e essa aliança com um grupo suspeito só porque ele quer vencer e se mostrar o melhor, não faz sentido, ele tinha uma banda que estava vencendo e por mais que ele não gostasse da Jana, ainda assim eles eram um grupo com muito potencial, no primeiro episódio Luka tem uma das interpretações mais tocantes do episódio, a cena em que ele canta “Lo que no fue no será” para o pai, é algo tão carregado de emoção que merecia um desenvolvimento tão maior do que teve…

Franco Masini como Luka (Rebelde/2021-2022)

Mas por qual motivo Luka se torna o meu personagem preferido? Simples, Franco interpreta Luka com tamanha perfeição que até mesmo os olhos falam por ele, isso compensa a falta de desenvolvimento do enredo, se houvesse um pouco mais de tempo de tela para esse desenvolvimento poderíamos ver um pouco do emocional de um adolescente que quer o amor e aceitação do pai, que não consegue estabelecer vínculos de amizade, que teve sua sexualidade exposta contra a sua vontade, que demonstra uma afeição com o álcool para fugir dos problemas e que se apega a qualquer possibilidade de mostrar o seu valor e realizar suas ambições, mesmo que isso o machuque ou machuque outros e se somar tudo isso ao fato de que ele traiu os amigos e depois os ajudou e ainda ganhou um irmão bastardo que é filho da sua ex professora de piano, o personagem seria uma grande bomba relógio, no mínimo ele deveria ter tido uma crise de ansiedade, mas não é o que acontece, o rapaz é inabalável, cabendo a Franco Masini interpretar Luka até com o último fio de cabelo do corpo, diminuindo o tom de voz, brincando com o olhar, ora reprimido, curioso e revelador.

Se levarmos em conta que toda história é como uma grande árvore, Rebelde é uma árvore com um tronco gigante e muitos galhos e ramificações, se tivessem podado alguns galhos do enredo, aprofundado a emoção e as relações dos personagens nos galhos que sobraram, mostrando a consequência de cada reação a história se tornaria ainda melhor e até mesmo um pouco mais contínua. 

Amor, Ansiedade, cartas, Crônica, Minhas Crônicas

Tórrido : Saudade

Tórrido, adjetivo:. quente em excesso; ardente.

Saudade, substantivo feminino: sentimento melancólico devido ao afastamento de uma pessoa, uma coisa ou um lugar, ou à ausência de experiências prazerosas já vividas

Preciso te dizer que eu errei.

Preciso te dizer que depois que eu te vi, eu me peguei pensando no que eu ainda não tinha vivido, fantasiei nosso amor, nossa casa e nossos filhos.

Preciso te dizer que eu também já te disse “eu te amo”, mas foi um engano, você nem me ouviu, mas ainda assim, mesmo sem me ouvir, você sorriu para mim.

Eu desejei ter suas mãos na minha cintura e minhas pernas circundando a sua, desejei teus lábios colados nos meus, desejei te deixar desnudo, prensado na parede, com meus lábios descendo por teu corpo. Eu desejei tanto que um dia cedi a eles e os transformei em realidade.

Preciso te dizer que era desejo.

Eu te olhei e cobicei o que não era meu, te disse eu te amo quando ninguém ouviu. Falei que seria meu quando não pertencias a ninguém, te apertei na parede e troquei minha respiração com a sua enquanto nos beijávamos.

Era uma noite tórrida no fim das contas…, mas eu me lembro de cada instante daquele pequeno e insistente momento.

Eu disse que não passaria daquilo, menti, voltei para os teus braços enquanto aproveitava teu abraço e desabotoava teus botões, te tirei a roupa e desci meus lábios por teu corpo, te jurei mentiras enquanto rodava minha saia e te arrastava para a cama.

Você me olhou em meio a surpresa e por leves instantes eu pensei que recuaríamos, mas eu estava mais uma vez errada, você me pegou pela mão e me puxou até o colchão.

Rolamos na cama em meio ao nosso riso, trocamos nosso olhar e compartilhamos segredos sem dizer uma única palavra.

Senti tua mão na alça da minha blusa enquanto perdia mais uma vez teus lábios por meu torço. Quando dei por mim eu já estava nua tentando com minhas mãos encontrar um lugar no seu corpo enquanto te olhava do alto do seu colo, sentada em sua cintura.

Era uma visão perfeita dos seus olhos, seu corpo virou meu mapa e suas mãos naquele instante se tornaram minhas guias.

Preciso dizer que não importa o que eu te diga, tudo que vai contar é o que você me prometeu.

Eu contei cada pintinha no seu corpo, contei cada uma: da pontinha do seu nariz até a ponta do seu dedão do pé.

Quando eu acabei de contar você me olhou sorrindo, se reclinou no colchão em meio a nossa bagunça particular e me deu um beijo, não um beijo voraz que me roubava os pensamentos, mas um beijo calmo e repleto de afeto.

Eu duvidei do que sentíamos enquanto via você invertendo nossas posições.

Eu me perguntei se você me amava realmente ou se amava aquele instante em particular, e como em um passo de mágica, você pareceu ouvir minha pergunta e sussurrou no pé do meu ouvido um “eu te amo”.

No fundo parecia uma trapaça para me fazer dizer o mesmo.

Sua boca desceu por meu pescoço, até chegar nos meus seios e me arrancar gemidos, eu senti cada dente me arranhando e sugando, eu arfei e você riu sem me olhar continuando sua árdua missão em encontrar diferentes maneiras de me tirar palavras.

Eu não te disse “eu te amo”, mas amei sentir sua boca me marcando, a sensação molhada que deixava no meu corpo quente, me afoguei no prazer que só você parecia saber me dar.

Eu realmente me permiti acreditar na sua promessa: de que iria ficar, que tudo permaneceria bem, que seríamos nós dois contra o mundo.

Confesso, eu sabia que você não iria ficar e talvez eu também não quisesse isso, mas ainda assim, foi bom saber que naqueles poucos instantes em que estivemos juntos você quis ficar, ficar comigo e por mim, quis me amar e fazer de nossas ilusões realidade.

Você não mentiu, naquela fração de tempo só existíamos nós no mundo, então tudo que disse ali, naquele quarto, era verdade.

Eu achei que eu te amava, mas amava o som da sua boca me dizendo o que eu queria ouvir, me fazendo sentir o que eu nunca senti.

Eu amei a forma como você parecia me ouvir sem eu nem mesmo falar, eu amei te ouvir enquanto encostava meu ouvido no teu peito e sentia suas mãos no emaranhado dos meus cabelos.

Eu amei ouvir nossos corpos no silêncio daquele quarto.

Eu amava teu toque tentando me descobrir. Amava a forma como nossas mãos pareciam tão perfeitas juntas em meio a nossa bagunça.

Eu amava o toque dos teus lábios me falando coisas indecifráveis enquanto dançava uma valsa inquestionável com sua língua.

Amava sentir suas mãos subindo por minhas pernas, era um misto de temperaturas, me arrepiava por inteira, sentir a pressão dos teus dedos nelas, me fazendo sentir algo que eu não sabia o que era, me fazendo perder as palavras e encontrar o instinto de me manter livre para receber cada parte de você.

Eu menti. Menti mais de uma vez, eu amei por mais de uma vez naqueles poucos instantes, amei segurar seus cabelos enquanto sua boca tracejava meu corpo e me sugava, me bebendo por inteira.

Eu não queria que terminasse, não, eu não queria que terminasse, eu queria te amar do jeito que você me amava.

Amor, Ansiedade, Crônica, Minhas Crônicas, silêncio

Ansiedade: Solidão

Gatilho: Crise de ansiedade.


ho’oponopono, sinto muito, me perdoe, te amo e sou grato

O amor é um Deus de palavras profanas, que embala nossos sonhos e acalenta nossos corações. – Juliana M.


Ele proferiu palavras mundanas e se desesperou com o que sentiu, o ar que se alojava em seu ventre o impedia de respirar, era um peso que o paralisava no lugar.

Suas mãos tremulas manchavam sua pele, elas tracejavam caminhos incertos, ele se sentiu incapaz de controlar qualquer ato de seu próprio corpo, os primeiros soluços vieram de forma sôfrega, mas não tinham a intensidade de quando o ar finalmente saiu.

Quando o ar fugiu por seus lábios, ele sentiu que trouxe junto toda a sua vida, seu mundo desabou ali naquele instante, ele nem ao menos controlou tudo que saiu de dentro de si, os soluços já não cabiam dentro dele.

Quis se manter de pé, mas no momento que tudo aquilo saiu de dentro de si, saiu também seu equilíbrio, ele foi ao chão e não conseguiu mais se reerguer. É difícil para uma pessoa adulta admitir que seu chão tinha ruído e que ele tinha desabado, mas esse era o fato.

Repentinamente tudo pareceu escurecer e ele que já se via tão sozinho, se sentiu ainda mais vazio. Não conseguia sentir nada além de uma dor intensa, que se fazia presente em todo seu corpo.

Então ele resolveu mentir, mas não tinha ninguém além dele para enganar, ele mentiu para si mesmo, “vai ficar tudo bem”, ele sabia que era mentira, mas mesmo assim repetiu incansavelmente na frustrante missão de fazer tudo aquilo passar.

Não tinha mais nada para sair, tudo que restou dentro dele era o silêncio, que fazia questão de ocupar cada espaço do seu corpo. Seu silêncio era pesaroso e cheio de rancor, ele era frustrante.

Ele deu tanto de si para todos e tudo que recebeu foi o silêncio como recompensa, o peso das palavras que ele nunca falou e de todas as que já ouviu, chegaram a sua garganta e mais uma vez seu peito se encheu de uma dor, uma dor pequena que estava guardada dentro de si e que se inflamou com o seu silêncio.

O silêncio era tão assustador que ironicamente se tornava ensurdecedor, ele sentia seu peito arder e quando menos percebeu o barulho ritmado de seu coração invadiu seus ouvidos, era ainda mais assustador, era uma batida sem ritmo que se atropelava e levava junto seu corpo já tão frágil.

Ele tentou se encolher em meio a toda aquela tempestade que ele havia se tornado, sentiu o vento frio mais uma vez invadindo seu corpo, era um vento tão forte que levava a cada sopro um pouco do que restava de sua existência.

Ele não queria desistir, mas ele se sentiu encharcado pela tempestade, seus pés não tinham força para se levantar, seu peito queimava, sua garganta ardia, não restava quase nada de si, mas ainda assim ele não queria ir, ele queria ficar e sentir cada parte de tudo aquilo que ele já havia sido, ele queria que pedissem para que ele ficasse.

Em meio a inconsciência que tomava conta de todo o seu ser, ele pediu para que ao menos uma pessoa em meio a tudo aquilo o entendesse, uma, só uma. Ele implorou em meio ao devastador silêncio que o engolia.

O tempo parecia perdurar por uma eternidade, estava cansado, cansado de tudo, cansado de todos os que diziam falsamente se importar, a mágoa a todo instante crescia em meio ao seu desespero.

Sentiu um toque frio lhe apertando os braços, usou a pouca força que lhe restava para tentar se desvencilhar, era como gelo, tão frio que queimava sua pele, ele se debatia tentando se afastar.

Sentiu-se ser agarrado de forma abrupta, o corpo estava imobilizado e tudo que ele sentia era dor, era sufocante e por instantes era como estar prestes a morrer afogado, era como se ele não conseguisse alcançar a borda, era desesperador.

Ele já não tinha forças, já não tinha mais noção de tempo, só sentia dor, ele desistiu, não se debateu, se rendeu ao silêncio. O aperto não diminuía pelo contrário aumentava, ele sentiu um leve acalento em seus cabelos, era quase como se o silêncio o ninasse finalmente.

De repente seu preciso silêncio teve-se invadido por uma ritmada combinação de palavras, achou que era sua mente tentando-o enganar novamente. Deixou-se enganar, seu peito inflamado começou a seguir o ritmo daquela combinação de palavras.

“Isso, devagar…”, ele começou a entender o que significavam as palavras, o toque ainda apertado continuava, mas não era frio como o gelo, agora era quente, e ele se encolheu ali, tentando a todo custo se esquentar.

Sentiu um leve toque em seu peito lhe ajudando a guiar seu ritmo, era um toque quente, ele se agarrou desesperadamente a aquilo.

“Eu estou aqui, tá tudo bem”, ele repetiu, ele repetiu internamente que não estava sozinho, ele queria que aquilo não fosse uma mentira e por isso chorou, chorou desesperadamente porque não acreditava mais nisso, ele se engasgou novamente e tudo que saiu de seus lábios era que aquilo era uma mentira, ele estava sozinho.

“Eu estou aqui, tá tudo bem”, a voz era insistente mas sua mente também era, tudo que sua voz já enfraquecida respondia era que era mentira, pois ele estava sozinho.

Em meio a todo aquele insistente diálogo ele ouviu aquilo que precisava ouvir “eu não vou sair daqui, porque eu te amo”. Então ele chorou, chorou sua tempestade caótica e se agarrou a aquela esperança de que ao menos um alguém havia se importado e o amado.

Filme, Opinião, Preconceito, Racismo, silêncio

Forever

Créditos da imagem @disneystudiosbr

É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito é saber sonhar
Então, fazer valer a pena cada verso
Daquele poema sobre acreditar

(Ana Vilela)

Eu não sei vocês, mas eu me senti um tanto quanto impactada com a notícia da morte do ator Chadwick Boseman, aos 43 anos. Vocês já repararam que quando alguém morre nós falamos o nome e a idade da pessoa, como se saber a idade fosse uma desculpa para aceitar ou não a morte? Não importa se jovem ou velho aceitar a morte de alguém é uma tarefa arduamente difícil, nós nunca estamos preparados para enfrentarmos o “The end”.

Eu refleti a tarde inteira sobre como a morte de um desconhecido pode influir tanto sobre mim e não cheguei a conclusão alguma. Veja bem, Chadwick Boseman foi um ator, diretor, ativista, mas ele não era alguém que fazia parte do meu círculo social, mas ainda assim, eu senti a dor da sua perda, assim como muitas pessoas sentiram. Sempre que eu sinto essa dor por perder alguém que eu nem conheço, eu fico imaginando a dor da família.

Não existe “até amanhã” quando você perde alguém que você ama, alguém que você considera mais do que um número, um personagem ou uma representação ideológicas. Se eu senti, imagino como sentiram os seus.

Boseman, deu vida não só ao incógnito T’Challa Rei de Wakanda, personagem criado em 1966, mas também deu vida a inúmeros outros personagens em filmes como Crime sem saída (2019), Destacamento Blood (2020), Marshall: Igualdade e Justiça (2017), bem como outros que inspiravam tanto quanto T’Challa, Pantera Negra.

Spike Lee, que dirigiu o ator em Destacamento Blood, disse que “ninguém sabia” sobre o diagnóstico de Boseman, e que foi uma surpresa para ele também. Destacamento Blood foi gravado em 2019, Chadwick Boseman foi diagnosticado com câncer em 2016, logo assim que conseguiu o papel de T’Challa e eu não consigo parar de pensar em tudo que esse homem enfrentou, afinal um diagnóstico de câncer em estágio 3 demanda uma série de tratamentos que desgastam não só fisicamente mas como psicologicamente. Como ele conseguiu?

“Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar
E sim sobre cada momento sorriso a se compartilhar
Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera a vida já ficou pra trás”

Não é tão difícil tentar entender os motivos dele não ter contado que estava doente. Imagina você receber um diagnóstico de algo que pode te matar e receber junto com isso o papel do primeiro herói negro no universo cinematográfico da Marvel. Como vocês reagiriam? Como vocês reagiriam sabendo o quão representativo era o seu trabalho para outrem? É triste, mas mais triste ainda é que quando olhamos novamente todas as aparições dele em cena e fora dela, percebemos que tudo foi calculado.

Em uma rápida pesquisa na rede, podemos encontrar uma matéria que faz referência a ele visitar hospitais com crianças com câncer e manter contato com elas, durante as gravações de Pantera Negra, elas queriam muito viver para assistir o filme, pois o herói negro as representava. Elas morreram antes do filme, acho que nunca saberemos como esse homem se sentiu ao longo desses quatro anos de tratamento.

Boseman representou a luta por igualdades raciais, era inspirador e como ele bem disse em um discurso, ele foi “jovem, talentoso e negro” e imortalizou isso no filme Pantera Negra:

“Todos nós sabemos o que é ouvir que não há um lugar para você ser apresentado. No entanto, você é jovem, talentoso e negro. Nós sabemos o que é ouvir que não há uma tela para você ser apresentado, um palco para você ser apresentado. Nós sabemos o que é ser a cauda e não a cabeça. Nós sabemos o que é estar por baixo e não por cima.” – Discurso de Chadwick Boseman na noite do SAG Awards.

“É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito é saber sonhar
Então, fazer valer a pena cada verso
Daquele poema sobre acreditar”

Eu acho que viver personagens foi a sua forma de se fazer imortal e de permanecer vivo, “wakanda forever”, ele viveu intensamente cada um dos seus personagens desde 2016, deixou sua marca, seus gestos e ideais gravados para sempre em seus personagens, ele se fez imortal, poucas pessoas sabiam que ele estava doente e talvez se os produtores soubessem ele teria sido impedido de se sentir vivo, de fazer o que amava fazer, ele seria impedido de acreditar, de acreditar na vida e no amanhã.

Chadwick Boseman inspirou milhares de pessoas com seus discursos, com sua atuação, com seus posicionamentos, agora sabemos porque suas palavras tinham tanta paixão, porque suas ações tinham tanto direcionamento. Sim, ele viveu intensamente cada instante de sua vida e fez isso propositalmente para que lembrássemos dele assim dessa forma.

Eu nunca lidei muito bem com a morte, nem sei se um dia saberei lidar, mas eu entendo que Boseman preferiu se tornar imortal à ser lembrado como o jovem ator negro que foi impedido pela doença de fazer o que amava. Quando iniciei esse texto citei a música “Trem Bala” , eu fiquei com a letra dessa música o dia inteiro na cabeça, essa música fala de sonhos, acreditar e viver, essa musica me remeteu a Chadwick Boseman que sempre estava sorrindo em suas fotos e falando muito com seus olhos, que sempre estava emocionado e que sempre expressava através de sua arte o seu amor pela vida.

“Segura teu filho no colo
Sorria e abrace teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem-bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir”

Gratidão Chadwick Boseman por ter sido inspiração em todos os seus dias, por sua luta para se tornar imortal, por seu amor pela vida e por todas as suas palavras.


Música utilizada, Trem Bala de autoria de Ana Vilela disponível em:


Fontes para o texto:

https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/08/29/chadwick-boseman-conversou-com-criancas-com-cancer-durante-pantera-negra.htm

https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/08/29/amigo-divulga-chat-com-boseman-ele-sabia-quao-precioso-era-cada-momento.htm

https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/08/29/chadwick-boseman-gravou-pantera-negra-apos-o-diagnostico-de-cancer.htm

https://www.terra.com.br/diversao/gente/ninguem-sabia-diz-spike-lee-sobre-chadwick-boseman,e545a6dee008fc3185ac21f40b08c849wejim29h.html

portalrapmais.com – portalrapmais.com/discurso-inspirador-de-chadwick-boseman-sobre-serjovem-talentoso-e-negro-viraliza-na-internet-apos-sua-morte/

Amor, Ansiedade, cartas, Crônica, Minhas Crônicas, Sexo

Carta 2: Saudade

Felipe Catto – Saga

Confesso que tenho saudade do seu corpo,

Uma saudade tão palpável que quase posso te vê na minha frente, me falando de amor com os olhos, me devorando em palavras indecifráveis enquanto reconhecia meu corpo com sua boca.

Tenho saudade de como você enlaçava nossas mãos, enquanto fazíamos das paredes do velho apartamento nossa cama.

Eu ainda sinto teu gosto na minha boca, o gosto do teu pescoço, do teu suor, do teu prazer. Sinto teu gosto enquanto sinto a pressão da parede em minhas costas e tua pele em minhas unhas.

Ainda ouço teus gemidos, consigo ver seus lábios se abrindo enquanto sentia meus dentes na tua pele, seus olhos se fechavam quase que automaticamente, você me encarava rápido e depois voltava a se perder nos meus seios.

Sinto saudade de como seus lábios ficam vermelhos e inchados e de como as pontas dos meus dedos ficam vermelhas enquanto eu me perdia no seu cheiro e sua boca se perdia em meu corpo.

Sinto saudade da sua boca e de como ela dizia coisas que eu não sabia precisar ouvir enquanto me sugava em prazer.

Sinto saudade de te perder no meu corpo, de ficar cega de prazer e de só sentir teu rastro.

Sinto saudade de te ouvir dizendo que me amava enquanto me encarava timidamente esperando que eu te dissesse o mesmo.

Sinto saudade de como eu não precisava dizer com palavras o que eu sentia, sinto saudade de como minhas palavras mudas se faziam presente por minhas pernas encontrando as suas.

Sinto saudade dos seus beijos vorazes.

Sinto saudade do teu cheiro no quarto, dos lençóis amarrotados que não fazem mais parte de nossas bagunças.

Sinto saudade das nossas conversas repentinas no meio da noite, da nossa respiração apertada e dos barulhos produzidos por nossos corpos nos fazendo lembrar da insaciável vontade de matar nossa sede.

Sinto saudade de como tínhamos facilidade de criarmos um mundo desconhecido e de como nos conhecíamos no nosso silêncio.

Sinto saudade do céu que só existe enquanto estamos juntos, das estrelas que nomeamos com nomes estranhos e dos planetas que ainda vamos conhecer.

Sinto saudade daquilo que só nós sabíamos fazer, dos nossos abraços cúmplices em meio ao nosso verão nos dias de inverno.

cartas, Crônica, silêncio

Só te direi mentiras.

Believer

Eu te disse, nem sempre eu vou ser a melhor versão de mim, as vezes eu vou te decepcionar e bem, isso é decepcionante. Nesse momento eu sou a pior versão de mim e isso não me dá orgulho.

Eu sei que eu sou ácida, uma agulha espetando alguém que não pode se defender, um incêndio em folhas secas, eu sou tudo isso, mas eu não sou só isso.

Eu sei o que eu sou e talvez eu goste de ser assim, talvez eu goste de não pensar em tudo que eu falo, nem nos sentimentos a minha volta, talvez eu devesse sempre ter sido assim. A probabilidade de qualquer um se envolver comigo seria remota, causaria menos dor e não estaríamos aqui nesse momento: nos encarando como dois estranhos sem nada a dizer.

As palavras sempre somem em meio a desilusão, é quase como um vidro embaçado pelo sereno. Tentamos voltar no tempo e viver como se tudo que vivemos juntos nunca tivesse existido. É como reiniciar o jogo e pular uma fase para chegar direto no final, eu não sei o quão bom jogador você é, mas isso não funcionou comigo.

Tudo é apenas um talvez, essa é a pior versão de mim e não significa que eu também não esteja me machucando enquanto estou vivendo sendo assim. Seria hipocrisia eu falar que eu não sei o que falei, ou que eu não me arrependo da forma como falei, mas não posso voltar no tempo, sinto muito se eu fui a pior versão de mim com quem só conhecia a melhor versão.

Mentira, você já conhecia meus pecados, meus delitos, meus erros e minhas insistências, talvez dessa vez nós dois tenhamos caído no mesmo ponto do jogo, por motivos diferentes, de formas diferentes, talvez eu tenha realmente sido a pior versão e isso tenha me feito voltar ao início do jogo e zerar todas as fases que eu já tinha vencido.

Eu escrevi durante tanto tempo sobre os silêncios dos outros que esqueci de escrever sobre a tempestade que eu sou. O que eu sou é tão devastador quanto o que existe em você, só que existe uma diferença bem grande entre eu e você:

Você convive com tempestades desde que nasceu e não consegue as controlar elas moram dentro de você e eu, bem eu sou uma tempestade a todo instante que as vezes pode trazer abonança e as vezes devastação.

Não vou pedir desculpa por ser quem eu sou, por meus destemperos nas horas impróprias, por minhas palavras repletas daquilo que você nunca esperou ouvir da forma que ouviu de mim.  Seu erro foi não entender que não era com você e transformar tudo isso em uma leitura particular do que eu sentia por você.

Isso foi realmente um erro, eu ainda te amo como sempre amei, um amor destemperado, repleto de despropósitos e completamente inesperados. Espero que eu ainda te ame durante um bom tempo, eu gosto de amar as pessoas. Eu gosto de te amar porque assim como eu, você não é perfeito, é cheio de defeitos, é dúbio e cheio de sentimentos a flor da pele.

Te amar é fácil, te fazer entender que eu te amo é difícil, é como se eu estivesse em um jogo onde tenho que dar um passo de cada vez e as vezes em uma jogada errada eu tenho que voltar alguns passos para trás. É um desafio, um intenso e divertido desafio que as vezes é recompensado com um sorriso bem pequeno ou um abraço meio sem jeito, sem palavras e sem propósitos, mas ainda assim cheio de sentimentos.

Eu não sei quantos passos eu dei para trás, mas sei que a cada dia eu estou mais perto da linha de largada e menos perto da de saída, eu não estou cansada de jogar esse jogo e nem me sentindo culpada por errar tantas vezes, eu jogo sozinha, sem direito a dicas então é um desafio, eu gosto de desafios, reiniciar o jogo as vezes é bom ao menos já se sabe onde não se deve errar.

É difícil entender, eu assumo, as horas e os dias passam e nós nos distanciamos, não pela forma como agi, mas por você transformar tudo que aconteceu antes em uma mentira, como se eu nunca tivesse sido eu mesma antes, como se todos os dias anteriores fossem uma história para ninar crianças. Você é o dado que dita quantas casas eu tenho que voltar até finalmente eu poder te alcançar novamente.

Quando você reinicia o jogo quem está do seu lado vai sempre pensar que você vai cair no mesmo ponto novamente, vai cometer os mesmos erros e vai desistir em algum momento, porque nem todo mundo persiste. Então enquanto você espera que eu não erre, você também está esperando por todos os meus erros para me afastar ainda mais de você. É assim né? Sempre foi.

Eu sou muito boa em ler pessoas, em ler silêncios, mas eu não sou boa em deixar as pessoas me lerem e isso torna tudo muito difícil, eu jogo sozinha, eu jogo contra mim.

Eu sou tudo que você espera que eu não seja, seu erro foi também o meu erro, acreditamos que eu conseguiria não ser aquilo que eu sou, humana. Você também não é o que eu esperava e talvez por isso eu entenda o que você sentiu ao me ver ruir.

Eu chorei quando você ruiu pela primeira vez e me mostrou que nada era perfeito, você ruiu tantas e tantas vezes diante de mim que eu só consegui pensar que eu tinha que me manter inteira para não te deixar quebrar ainda mais.

Eu definitivamente não deveria ter feito isso. Eu menti sobre a única coisa que eu não deveria ter mentido. Eu erro, cometo meus pecados e não me arrependo, sou insana nas horas vagas e isso é como chuva no deserto é uma tempestade devastadora dentro de mim.